mulheres da música brasileira & álbuns 2015

12 álbuns de 2015 que ganharam meu coração e algumas colocações sobre mulheres no cenário da música brasileira. Os álbuns estão sem ordem de lançamento ou de gosto.

IARA, Iara Rennó — Cantora, performer, instrumentista e poeta, o álbum é dionísico experimentamirabolante brasiniquim. Para brisar a cabeça e fritar o corpo. ouça aqui
*correção: o álbum foi lançado em 2013

MAMA KALUNGA, Virgínia Rodrigues — Ressonância negra, a voz da cantora é trovão, canto de pássaro dentro da mata, barco navegando em mar tranquilo. Álbum que arrepia e emociona, ode à ancestralidade. ouça aqui

SELVÁTICA, Karina Buhr — “Transfeitiçaria musical”, como disse a filósofa Márcia Tiburi. Rasgando o sutiã, tirando a faca do peito, erguendo a cabeça pra vida. ouça aqui e baixe aqui

ANGANDA, Juçara Marçal e Cadu Tenório — Reinterpretação de diversos cantos do célebre álbum “ O Canto dos Escravos”. Noise, experimentação. ouça e baixe aqui

A MULHER DO FIM DO MUNDO, Elza Soares — Elza cantando uma mulher do fim do mundo, sua sobrevivência, resistência e seus prazeres. Infelizmente mais de 90% da ficha ténica do álbum é composta por homens. ouça aqui

AVA PATRYA YNDIA YRACEMA, Ava Rocha — “Mata densa, animais soando num não sei onde, ventania-silêncio, mistério e fluxo.” Voz rasgada, voz veludo. Show-performance incrível, que resenhei aqui. ouça aqui e baixe aqui

PRISIONEIRA DO AMOR, Andreia Dias — Voz de pássaro pousando na janela, de vista pra cidade que se caminha, se divaga e se devagareia. Dor de cotovelo, romance, tesão, ovelhas. ouça aqui

LUIZA LIAN, Luiza Lian — “Visceral e irônica”, disse meu amigo Bruno Reis. Riso e nhénhénhé de Oxum. Saudando a espiritualidade com flores e celebrando com passos descompassados. ouça aqui e baixe aqui

ENCANTAÇÕES, Renata Rosa — Indicada pela amiga Júlia Vita, Rosa é rabequeira e instrumentista. Torna viva a riqueza dos regionalismos brasileiros. Solta o corpo, faz amar indamais o Nordeste. ouça aqui

ESTILHAÇA, Letuce — Último dia de carnaval carioca: carão, loucura, dança, flerte e ressaca. Da Letícia Novaes, cantora, compositora, poeta, performer e mistério, no terceiro álbum de sua banda com Lucas Vasconcellos. ouça aqui

FROU FROU, Barbara Eugenia — Doçura, brisa em quente verão. Pra dançar, pra curar coração, pra ser brega, pra flutuar, pra botar um batom, óculos escuros e sair sendo maravilhosa. ouça aqui e baixe aqui

SOM E FÚRIA, Rita Benneditto e Jussara Silveira — Parceria de duas cantoras de poéticas de um afrobrasil. As duas em sua forma mais lírica, cantando a natureza, o silêncio, a palavra, o espírito. ouça aqui

Destaco que três desses álbuns (Karina Buhr, Renata Rosa e Barbara Eugenia) foram financiados coletivamente online, e essa tem sido uma forma incrível de dar vida a projetos autorais e independentes. Tanto na música, quanto nos quadrinhos, essa forma de arrecadação tem ajudado bastante no empoderamento de mulheres que fazem e que consomem arte. Enfim, vale a pena prestar atenção no que está rolando em diversas plataformas (financiamento, shows, críticas, experimentações) e tentar ajudar quando possível.


Mesmo na cena independente (que supostamente foge de alguns padrões impostos pelo capital às mulheres), se pesquisamos por composições, acompanhamos shows e fichas técnicas, ainda vemos a predominância de homens. Quando vemos mulheres, são em sua maioria intérpretes e vocalistas. Da música popular às músicas mais experimentais e eletrônicas, a presença das mulheres ainda é tratada de forma infantil, menos profissional e sexualizada.

Por isso é tão importante que mulheres cis, pessoas trans e não-binárias criem seus próprios espaços, para não reproduzirmos as opressões que heteropatriarcado continua a impôr pelos espaços. Quando mulheres produzem juntas, transparece, e a gente sente, e muda nossa experiência sonora e corpórea. Cria uma sensação maior de pertencimento e de possibilidade que outras mulheres também experimentem a música.

Mais referências:
“7 mulheres do rap brasileiro que você precisa conhecer”
“Mulheres na música: conheça 15 instrumentistas brasileiras”
“Por que as mulheres são as pioneiras da Música Eletrônica?”
“ Maracatu Coração Nazareno: O maracatu se rende às mulheres”

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