Quando você quebra o vaso

Faço essa reflexão depois de olhar pra dentro, chorar, respirar, e seguir com o plano.

Hoje, conversando com meu marido, ele usou um termo interessante para descrever o que eu ando passando: “quebrar o vaso”.

Eu saí da casa dos meus pais, da minha vida, trabalho, amigos, ando chorona, pensando, “meu Deus, por que fazer isso?”. Por que alguém ia querer sair da sua casa, perder o quarto, a cama confortável, a família que se dá bem, com harmonia, a comida na mesa, o cachorro mais amor, para se jogar no mundo? Separação física é muito dolorosa!

Existe síndrome do ninho vazio ao contrário? Porque acho que to nela. Com certeza deve ter um nome pra isso, e você que saiu da sua casa também já deve ter sentido algo assim.

É um sentimento que dói, de deixar quem se ama, quem tá lá pra você o tempo todo, com um misto de excitação por viver o novo, por aprender a colocar uma roupa na máquina sozinha, por queimar inúmeras vezes a comida, fazer muitas gororobas até aprender, por estar casada e ter uma companhia nova, e ter que aprender a lidar com os jeitos do outro.

Como lidar com essa mistura de sentimentos e essa ansiedade? Como explicar pro meu cachorro que ficou, que eu não o abandonei? E o pior (ou melhor, não sei), eu não fui para outro bairro, eu fui para outro país.

Ok, white people problems. Mas é o que eu ando sentindo. E fica quase inabitável aqui dentro, com tantas questões.

Então numa conversa muito boa e difícil, porque sim, é difícil ouvir falarem dos nossos defeitos, angústias, ou o que quer que seja, me veio essa explicação.

Em algum momento da vida a gente quebra o vaso, tudo fica confuso, em pedaços, mas a gente cola, reconstrói, e do nosso jeito! O jeito que a gente acha que vai ficar bonito, com aquela bagagem que a gente tem da vida, mais o que anda aprendendo por aí. Tem que tomar cuidado pra não ficar feio, mas tem que fazer!

Eu ouvi o que eu precisava sabe? Quem eu sou, nada vai mudar. Quem eu posso ser, eu ainda estou descobrindo, mesmo com as angústias e medos. Quem sabe até onde podemos chegar, não é mesmo?

Que a gente consiga transparecer o amor que sentimos pelos outros, pela família, pelo trabalho que ficou, pelo cachorro, e pelos amigos, e que a gente consiga enfrentar os sentimentos que nos fazem surtar, montando pedacinho por pedacinho do nosso vaso quebrado, quantas vezes forem preciso!

E caso não tenha ficado claro… Mãe, pai, irmã, cachorro, família inteira, cachorro de novo (porque é muito amor) e marido, que me aguenta e me dá força pra caral**, eu amo todos vocês, muito! ❤