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O primeiro foi tão míope, planejado, cheio de ciúmes com brigas físicas e psicológicas - destruidor. O segundo, mais frustrante e platônico impossível. Nada era real, o lugar, as pessoas, era tudo um sonho distante. E o terceiro, muito recente para tirar qualquer tipo de conclusão.

Não sei exatamente quando nos encontramos pela primeira vez. Afinal, foi há mais de 8 anos, ele era apenas mais um, eu nem imaginava qual seria o seu filme preferido e o real motivo de ter começado a andar com aquelas pessoas.

Ele sumiu e voltou, voltou diferente. Demorei alguns minutos para reconhecê-lo, um oi de longe bastou. Então, chegou a minha vez de sumir, de crescer e viver.

Voltei e tudo estava estranho, mais uma vez diferente. Distante observava ele e ela, queria ser descolada, quem sabe assim um dia ele curtiria alguma foto minha.

Então o frio chegou, uma garrafa se quebrou e a noite se passou. Palavras duras, com sofrimentos, corações rasgados - nos tornamos iguais.

Ele ficou e eu fui, levei-o comigo no meu coração cheio de medo e ansiedade. Tentei segurar, mas não deu, me apaixonei, me irritei, planejei e errei.

Voltei, não estava pronta para jantares, só para encontros em praças regados a catuaba. E assim o medo foi passando, as listas foram ficando para trás e nós fomos ficando cada vez mais reais.

Aquele sonho destruído por alguém há muito tempo já estava sendo refeito com outras cores.

Tudo era novo, me encantava, paralisava, cheio de áudios com risadas e briguinhas bobas. Anos testando Deus, rezando para que Ele me mandasse alguém que me mudasse, me ensinasse algo para toda a minha vida. E Ele me mandou alguém assim, tão imperfeito quanto eu - que criativo, maravilhoso.

Experimentei como é ter alguém que gostava de mim pelo o que eu sou, cheia de medos, manias e inseguranças. Ter alguém que me tirava do sério e ao mesmo tempo me transbordava de sentimentos bons, novos, alguém que sabia o real significado do amor.

E assim foi, novas perspectivas surgiram, preconceitos quebrados, me arrisquei e ele se foi.

Um mês se passou, não entendo e nem quero entender. Se alguma coisa eu aprendi, é agir diferente. A tranquilidade tomou conta do desespero, a tristeza o lugar do medo e a esperança de algo novo o lugar das inúmeras listas.

Mais uma vez ele foi e junto levou suas tatuagens, alargador, suas gírias, as histórias intermináveis. Foi com sua camisa xadrez, calça caqui e bota surrada, com sua ideia fixa de nunca usar mocassim. Guardou suas piadas sobre casais bregas e hashtags infinitas, levou com ele seus apelidos e suas frases fofas.

E eu fiquei, olhando sem entender enquanto minhas lágrimas escorriam no meu rosto, vendo a vida voltar a ser aquilo que já era de costume. Só que dessa vez, junto com o meu coração machucado fiquei com a minha cicatriz no meu joelho direito, a favorita. Uma pequena mancha que amo olhar todas as manhãs e agradecer de ter tido um parceiro de crime e de me aventurar nessa vida tão cheia de dúvidas.

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