Marina
Marina
May 27, 2017 · 2 min read

Antes de você bater a porta eu gritei que a minha vida se dividia entre pré e pós nós dois
Que nem quando a gente estuda História e fica mais fácil de entender as coisas
Quando a gente analisa o mundo entre pré e pós Guerra Fria.

E talvez eu tivesse sempre sido a União Soviética
E talvez não tenha valido de porra nenhuma a vitória da conquista espacial
Porque você bateu a porta com tanta força
E já faz quase um ano

E eu entendo que sentir a tua falta é péssimo
Mas você também nunca se esforçou pra tentar
Ser
leve.

Quer dizer,
eu tenho medo - muito medo.
De que a gente ainda vive nesse jogo de superpotências
E de que a sua bomba nuclear seja cítrica demais
E eu sou alérgica.

Sabe,
eu não quero estar no poder!
Eu quero ver as coisas com mais acalento, apenas.
Mas você tem medo
De que eu seja ainda a tinta daquela caneta
Presa por uma corrente na mesa do escritório
Que fica no coração do edifício da KGB

Acontece que já faz quase um ano: a tinta secou e só sobrou o plástico.
E eu detesto ter que te falar que plástico é cancerígeno
que nem este cigarro preso entre os dentes.

E eu sinto a sua falta.
Muito.
E eu me lembro que antes de gritar que a minha vida se dividia entre pré e pós nós dois,
A gente transou e foi bem ruim
Porque a minha cama fazia barulho e o colchão deslocava de lugar

Então eu penso que se talvez eu tivesse ido à escola aquele dia
Eu teria aprendido mais sobre Guerra Fria
E se eu tivesse ido à escola aquele dia
Talvez você não batesse a porta forte demais
E se eu tivesse ido à escola aquele dia
Você nunca saberia que o meu marco de referência "pré" e "pós" é você

E então talvez você não me achasse tão louca a ponto de não voltar e dizer que a sua saída foi impulsiva.

Mas eu não fui à escola aquele dia e já faz quase um ano que eu tô pra trocar esse trinco da porta que envergou.

Falo sobre a porta do meu coração.

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    Cada um de nós é um universo.