Marina Horn
Sep 4, 2018 · 3 min read

Há seis meses atrás ela me dizia: “não quero mais te machucar, e acho que tu também não quer isso.” E ontem eu era essa pessoa. Tendo que ser forte contra os meus prazeres e as minhas vontades, para poder deitar a cabeça no travesseiro e dormir com a consciência limpa.

Todos os dias vemos as fases da nossa vidinha cíclica se repetir, às vezes sendo a caça, outras o caçador. E pra quem pensa que ser o caçador é melhor, está enganado. Doi menos naquele obrigado a fazer a escolha, mas o autocontrole, necessário para não voltar atrás, nos enlouquece.

Lembro-me muito bem das vezes que não senti a tua ida, porque não queria que ficasse, não sabia impor o que eu queria de nós, por tanto sempre me via imersa numa confusão e sabia me afastar quando perdia o controle da situação. Vivi muitos momentos diferentes entre essas idas e vindas, os quais me ajudaram a perceber o que eu não queria de nós.

Me considerando pronta para vivermos plenamente bem e juntos para “o resto da vida”, impondo limites e sendo consciente sobre até onde poderíamos ir, baixei a guarda e esperei tu vir ao meu encontro, como sempre fazia. E dessa vez veio forte para mim, veio significativo, pois eu tinha descoberto como dizer NÃO para as coisas que tu queria e eu não, descobri a leveza que podíamos ser, e plenamente só aí acreditei que éramos almas gêmeas, como tu sempre dizia, e que começava o início do “para sempre”.

Mas não.

Nesse último fim de semana, me vi ao teu espelho, e me recordei das vezes em que esperneei ao lado de antigos amores protestando sobre o fim. Das vezes em que tive que juntar forças que até hoje não me lembro de onde vieram para aceitar o fim de um relacionamento. Procurei no meu caminho até chegar aqui onde estou, só as coisas que me fariam bem, que me protegeriam de mim mesma quando amo. E me lembrei o quanto me sinto plena hoje.

Agradeço ás mulheres que me fizeram me enxergar como a pessoa mais importante da minha vida e me ensinaram a fazer as melhores escolhas para que eu não me machucasse.

Não é fácil ter que decidir, mas não tem preço saber que mesmo que o outro não goste da sua escolha, você fez um bem a ele.

Não pense, de maneira alguma, que é fácil para mim. Eu sinto a tua falta em vários momentos do meu dia, por exemplo hoje, estou tomando café sozinha no ônibus, e ele não está tão bom quanto aquele que tu costumava fazer, ou não tem com quem compartilhar minha música. Mas uma vez eu ouvi falar em Amor Genuíno, aquele não mesquinho, o que ama o passarinho livre, foi uma das coisas que mais fizeram sentido na minha vida.

É assim que eu quero te ver, “um passarinho livre” que saiba fazer suas próprias escolhas para que não atrapalhe seu voo. Não vou pedir que volte na primavera para me ver, nem quero isso. Quero te ver lá no alto, sempre. “Para trás nem para pegar impulso!”

Como tu mesmo disse, nossa alma é gêmea, se não for aqui, nos encontraremos em breve.

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Marina Horn