Nada como nós mesmos

Hoje, matando tempo, cantando e tocando músicas que me agradam, mas que talvez não à maioria das pessoas. Pensei no quanto dou valor à certas manifestações artísticas simples. E o quanto elas me atraem, sendo difíceis de encontrar por aí. Como eu poderia telas pra sempre, e aperfeiçoa-las cada vez mais?

Não nasci com o dom para escrever músicas, este meu pai deu à minha irmã mais nova, que canta versos próprios pela casa com uma facilidade inocentemente incrível. Eu escrevo textos, no máximo poemas. Por tanto, escrevo como eu gostaria de lê-los, de tê-los guardados no fundo da gaveta pra sempre. Alguns sobre o amor que eu gostaria de ter, outros sobre fatos simples que transformo na tragédia ou a alegria mais epifânica possível. “O poeta é um fingidor”, como disse Fernando Pessoa.

Outras vezes, ao me apaixonar por alguma melodia escondida na apresentação ao vivo de um artista, reproduzo a versão e gravo. Fico ali escutando como se ele mesmo tivesse feito especialmente pra mim. Uma pretensiosidade, talvez. Mas posso garantir que funciona, haha.

Pra mim, tem a ver com deixar a vida da forma mais MINHA possível, transforma-la na vida que eu queria ter. Por exemplo, no seu trabalho você não dá tudo o que pode para que, ao ver o resultado, se sinta orgulhoso de si mesmo? Se não, experimente.

Nos dias de hoje, as pessoas estão muito preocupadas em impressionar os outros. Para que sejam aceitas ou algo do tipo. Esquecendo-se de que se você não está feliz consigo mesmo, ninguém vai te vangloriar.

Nada melhor do que nós mesmos para arrumar nossa cama do jeito que mais gostamos para chegar em casa e ver o quarto dos sonhos, comprar roupas do nosso estilo para se olhar no espelho e se sentir “seu”, enfim. Ser a pessoa pela qual nos apaixonaríamos. Assim como nos apaixonamos por cada parte individual de cada um, cada gesto, cada feito. Nada como nós mesmos.

Marina Horn