Precisamos falar mais sobre compulsão alimentar

E sobre como a cultura de dietas pode ser um vilão dessa história

Todas as ilustrações deste texto são da Ambivalently Yours

No início de 2014, quando desconfiei que minha ânsia extrema por certos alimentos e a falta de controle sobre quantidades pudesse ser um problema maior que “falta de disciplina”, eu fui perguntar ao oráculo da modernidade, conhecido como Dr. Google, “o que é compulsão alimentar”.

Esse foi o primeiro passo para a descoberta de um mundo de informações, muitas vezes incorretas e desconexas, sobre o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (o nome correto do que eu tinha, inclusive, foi uma das primeiras coisas que aprendi). A decisão de escrever sobre minha experiência veio da lembrança desse dia, da esperança de que uma pessoa perdida como eu estava naquela época pudesse encontrar mais do que informação na internet, mas também o acolhimento de quem já viveu e sentiu o mesmo que ela.

Demorei pelo menos um ano para colocar um ponto final nesse texto. Não só porque precisei pesquisar bastante para não falar bobagem, mas também porque faltava coragem de me expor para estranhos e, principalmente, para pessoas próximas que não sabem que eu tive um transtorno alimentar.

Aliás, esconder a situação dos outros é uma atitude muito comum entre quem enfrenta um transtorno de alimentação. Diante da sociedade que está constantemente julgando nossos corpos e hábitos alimentares, que diz que não podemos comer nem muito, nem pouco, não podemos ser gordas, nem magras e — mais importante — temos que ter força de vontade para nos alimentar “direito”, dá vontade de se esconder mesmo. Afinal, sob esse ponto de vista perverso, ter anorexia, bulimia, compulsão ou outro transtorno é um atestado de incompetência e de fraqueza.

Eu só consegui contar para alguns amigos e familiares sobre minha condição depois de muito tempo sofrendo com ela. E como a gente não ouve muito falar de TCAP (essa é a sigla para o tal nome técnico, Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica), a reação deles foi diversa, mas a maioria não conseguiu entender muito bem o que estava acontecendo comigo. (Talvez eu também não tenha conseguido explicar muito bem — o nível de entendimento e elaboração que tenho hoje, escrevendo esse texto, só veio depois de anos. Enquanto eu estava no olho do furacão, era difícil descrever e explicar a tempestade.)

Eu sentia que se tivesse falado para as pessoas que tinha anorexia ou bulimia, elas teriam entendido na hora do que se tratava. Essas palavras ficaram famosos nos anos 90 e, desde então, transtorno alimentar é sempre ligado aos dois termos. Mesmo que existam oito tipos de transtorno documentados no manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders -DSM).

De acordo com uma pesquisa feita pelo National Institute of Mental Health (NIMH), a compulsão é o transtorno alimentar mais frequente, tendo incidência global populacional de cerca 5%. Costuma ocorrer mais em mulheres (60%) e a presença em homens (40%) é maior do que dos outros transtornos alimentares.

Então por que ouvimos falar mais de bulimia e anorexia do que de compulsão alimentar?

Eu não sei ao certo a resposta, só tenho algumas pistas.

A primeira tem a ver com vergonha. Comer muito é encarado como falha muito maior do que comer pouco, desde os tempos em que gula virou um pecado capital pra Igreja. Na fila do self-service, a pessoa com o prato cheio de arroz, feijão, bife e batata frita é mais julgada do que a que pegou um frango grelhado, duas folhas de alface e uma rodela tomate.

A vergonha pode ocasionar o “sumiço” desse assunto das rodas de conversa. Também pode ser o motivo pelo qual a grande maioria dos compulsivos tem suas crises sozinhos, escondidos do resto da família e dos amigos.

Outro ponto é que existe uma grande confusão entre compulsão alimentar e “pé na jaca”. Ao me abrir com algumas pessoas sobre o tema, ouvi, mais de uma vez, frases tipo “nossa, eu também sou super compulsiva”, seguido de uma justificativa como “hoje comi oito pedaços de pizza no rodízio”, “comi um prato cheio de docinhos na festinha ontem”, “sou capaz de comer uma caixa de chocolate inteira”, etc. Não estou dizendo que o comportamento de comer exagerado não necessite atenção. No entanto, ele não é a mesma coisa que ter um transtorno alimentar.

Todo mundo já sentiu desconforto de tanto de comer. Mas isso é diferente de algo recorrente, que começa a trazer consequências físicas e psicológicas bem negativas para a pessoa. Também há uma diferença de escala: quando ouço alguém dizendo “sou muito compulsiva, comi duas promoções de fast-food hoje”, me lembro do dia em que comi tantas promoções que perdi a conta (aliás, se você consegue contabilizar o quanto comeu, provavelmente isso não é uma crise de compulsão alimentar). Só quando comecei a passar mal percebi que na minha mesa havia várias bandejas, ou seja, eu tinha voltado mais de uma vez ao caixa para comprar mais comida.

Para piorar, nem todos os profissionais — de psicólogos a nutricionistas — estão preparados para identificar e atender uma pessoa nesta situação. E se não é propriamente diagnosticado, é como se o transtorno não fosse tão frequente.

Eu fui atendida por uma nutricionista, por exemplo, que me sugeriu mascar chicletes durante uma festa para que, com a boca ocupada, eu evitasse uma crise de compulsão ao comer docinhos. Ela também disse que, na mesa de bar, sentar em cima das minhas mãos poderia ajudar a não comer os petiscos que estivessem disponíveis. Tudo o que consegui com essas “dicas” foram azia e mãos dormentes.

É preciso entender que na crise de compulsão alimentar, não há uma alimentação excessiva por gosto, mas por total descontrole.

A origem da palavra vem do latim compulsio, que deriva de compellere, “levar a um lugar, levar à força”. Já no dicionário, compulsão é definida como “imposição interna irresistível que leva o indivíduo a realizar determinado ato ou a comportar-se de determinada maneira.”

Foco nas expressões “levar à força” e “irresistível”.

Vou citar de novo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders — DSM) porque é nele que estão catalogados todos os transtornos identificados no mundo e por isso é usado para definir diagnósticos. Nele, o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica é definido pela ingestão de grande quantidade de alimentos em um período de tempo delimitado (até duas horas), junto com uma sensação de perda de controle sobre o quê ou o quanto se come.

Para caracterizar o diagnóstico, os episódios devem acontecer pelo menos dois dias por semana nos últimos seis meses e não estarem acompanhados de comportamentos compensatórios (como vômitos forçados ou excesso de exercício, por exemplo — neste caso, o quadro pode ser definido como bulimia).

Resumindo: em um episódio de compulsão alimentar, a pessoa ingere uma quantidade muito grande de comida sem ter controle de quanto e, muitas vezes nem do que está comendo, sendo que o processo só é interrompido por uma dor física ou um desconforto muito grande no estômago. E não é algo que ocorre de vez em quando, é cíclico e frequente.

Uma crise de compulsão pode ter diversos formatos.

Umas das primeiras que me lembro aconteceu em uma festa de aniversário na casa de um amigo. Comecei a comer alguns salgadinhos e, de repente, perdi o controle. Não lembro quanto tempo levou, em que cômodo da casa eu estava e muito menos quantos salgados eu comi.

Era como se um botão tivesse desligado uma parte do meu cérebro, que foi religada apenas quando eu estava passando muito mal do estômago, minha pressão baixou e eu não conseguia me mexer. Senti que precisava ir para o hospital, mas a culpa e a vergonha não me deixaram pedir ajuda. Então deitei em um dos quartos da casa e fiquei lá por horas, imóvel, até dar conta de me levantar e ir embora.

Já li depoimentos também de pessoas que comem toda a comida disponível na geladeira, às vezes até mesmo no freezer, congelada mesmo. Outras têm compulsão por alimentos específicos, alguns incomuns, como balas de goma ou maçã. É comum fazer misturas estranhas, como feijão e maionese, por exemplo.

Ainda que muito diferentes, as crises normalmente têm dois sentimentos em comum: vergonha e culpa. Vergonha de como e do quanto se come e culpa de não ter conseguido se controlar. Por isso, normalmente, arranjamos maneiras de ter os episódio escondidos.

Eu podia passar o dia inteiro sentindo a angústia da compulsão, mas só conseguia desaguá-la se estivesse sozinha. Há histórias de quem come apenas de madrugada, quando todos na casa estão dormindo; outros que se escondem no banheiro. Eu já me refugiei na escada do meu prédio e já guardei chocolates na gaveta do guarda-roupa.

A compulsão, uma alteração neuropsiquiátrica, não é uma questão de fraqueza moral ou de falta de compromisso com uma disciplina alimentar adequada.

Esse ímpeto de querer ingerir grandes quantidades de comida nasce na mesma região onde temos fome e sede, ou seja, no lado instintivo do nosso cérebro. A mente deseja aquilo como se fosse essencial para sua própria sobrevivência, tornando quase impossível o processo de racionalização.

Em mim era como uma urgência, uma sensação de que, se eu não comesse, algo muito ruim iria acontecer. Uma briga interna entre o lado do meu cérebro que racionalizava e o lado do instinto: um sabia que eu não deveria comer, tinha argumentos; o outro era um impulso muito poderoso. No meio desse embate, que durava alguns minutos, eu ficava perdida, sentia que não tinha escolha. E comia.

É por isso que conselhos do tipo “seja mais disciplinado”, “tenha pensamentos positivos” ou “coma uma maçã quando der vontade do chocolate” raramente são efetivos para quem tem TCAP. É como se a pessoa se encontrasse no meio de uma avalanche e alguém dissesse para ela sair da neve.

Por conta do descontrole, parar de comer no meio de um episódio é praticamente impossível e, evitá-lo, muito difícil. Muitas vezes, como no meu caso, a compulsão está ligada à obsessão por certos alimentos. Meu transtorno passou por algumas fases e na que durou mais tempo, eu tinha um desejo incontrolável por grandes quantidades de chocolate, fast-food ou fritura. Era uma necessidade sufocante, nublava meu pensamentos a ponto de eu não conseguir fazer mais nada.

Na tentativa de me frear e não sucumbir ao desejo, eu tentei muitas técnicas.

Uma delas era ir para um lugar isolado e ficar quieta, imóvel, prestando atenção na minha respiração, até que esses pensamentos dissipassem. Perdi a conta de quantas vezes tentei isso em casa, no banheiro do restaurante, na escada do trabalho. Outra técnica era achar uma distração: sair para caminhar, assistir um vídeo, ligar para alguém. Essas tentativas às vezes davam certo, na maioria das vezes não, mas eram sempre muito difíceis e dolorosas.

Em entrevista para o site da BBC, a professora de psicologia na Universidade Flinders em Adelaide, na Austrália, Eva Kemps, explica que

“independentemente de suas origens, a ânsia por um determinado alimento pode ser extraordinariamente perturbadora. Experiências mostraram que ela dificulta a realização de tarefas cognitivas, o que sugere que ela está monopolizando alguma faixa de processamento do cérebro.”

Quem tem TCAP acaba se tornando refém do ato de comer, num eterno pêndulo entre o medo da comida e desejo por ela.

Existe um mecanismo neurológico ligado à alimentação que ajuda a entender este processo: quando comemos alimentos ricos em gordura e carboidratos simples, estimulamos a liberação do neurotransmissor chamado dopamina.

É por essa razão que a grande maioria das vezes a compulsão acontece com alimentos como pães, massas, doces, chocolates e frituras. Quando o consumo desses nutrientes é excessivo, o organismo vai perdendo gradativamente a sensibilidade à dopamina, necessitando de quantidades cada vez maiores dela. A culpa e a vergonha seguidas deste processo podem causar ainda uma baixa de serotonina, que também pode ser compensada pelos mesmos tipos de alimentos, criando, assim, um ciclo vicioso.

Lembra da frase lá em cima? Que na crise de compulsão alimentar não há uma alimentação excessiva por gosto? São esses mecanismos que explicam porque a compulsão não é um vício em comida, mas no ato de comer. Não importa a qualidade da comida, muito menos o seu sabor, e sim o que ela vai provocar no cérebro.

Eu considero a cultura da dieta restritiva com um grande vilão dessa história.

Privação e compulsão andam de mãos dadas, com dedos entrelaçados. Não encontrei comprovação em estudos científicos mostrando que quem desenvolve TCAP necessariamente estava fazendo dieta radical antes ou durante as crises. Na prática, todos os casos que li e pessoas que conversei passaram por um período fazendo dietas que cortam grupos inteiros de alimentos ou diminuem radicalmente as porções.

O tema de como as dietas radicais e a cultura que as incentiva estão nos deixando doentes em vários sentidos merece outro textão. Aqui, vou me ater ao fato de que o cérebro não reage bem à proibição de um grupo alimentar. Ele sente que está em uma situação de perigo, então desenvolve mecanismos de adaptação, como ‘ligar’ os genes do apetite e fazer de tudo para ter de volta aquele nutriente que lhe foi negado. De acordo com a nutricionista, pesquisadora e autora do livro “O peso das dietas”, Sophie Deram, depois de uma dieta restritiva, o risco de desenvolver compulsão é até 18 vezes maior.

Da adolescência até a vida adulta, como milhões de outras mulheres no mundo, passei por inúmeros ciclos de dieta restritiva: cortar alimentos -> emagrecer -> não conseguir manter a privação -> voltar a comer tudo de novo em maior quantidade -> engordar -> cortar alimentos. E no meio desses ciclos, tomei diversos medicamentos inibidores de apetites, a maioria deles receitados por médicos.

Voltando em 2014, quando tive minhas primeiras crises de compulsão, eu estava seguindo uma “reeducação alimentar” com uma nutricionista. Eu achava a dieta elaborada por ela bem restrita, havia comidas que eu detestava e comia por obrigação, como barrinhas de proteína e colágeno em pó, e sentia muita fome, pois as porções eram pequenas. Meu cérebro não gostou nada disso — e, de novo, lá estava eu no ciclo de privação/compulsão. Só que, dessa vez, eu acabei desenvolvendo um transtorno alimentar durante o processo.

Comecei a falar desse assunto na terapia, que já fazia há alguns anos, e passei a identificar os gatilhos pessoais que me levavam à compulsão. E ainda que esse trabalho tenha sido essencial para entender como eu estava numa relação problemática com a comida, não foi suficiente para acabar com as crises. Sempre que eu resolvia um gatilho, outro aparecia.

Isso porque eu não estava atacando algo que sempre permanecia em todas as fases: o padrão de pensamento que desenvolvi com tantos anos de dieta. Aquele que via alimentos separados entre bons vs. ruins, proibidos vs. permitidos, que me fazia sentir culpa por comer certas comidas e fracasso por não ter “força de vontade” (entre aspas porque comer carboidrato depois de 15 dias sem pão não é fraqueza, é seu corpo lutando para funcionar direito).

Então percebi que para conseguir me livrar da compulsão, não bastava eliminar meus gatilhos. Eu ia precisar mudar todo o meu sistema de raciocínio sobre a comida.

Meu caminho para deixar de ter as crises foi longo e continua sendo traçado.

Eu não sou médica nem especialista, por isso não posso dizer qual é o melhor tratamento. O que funcionou para mim, além da ajuda psicológica, foi me consultar com uma nutricionista comportamental e com um psiquiatra.

Como os níveis de certos neurotransmissores ficam totalmente loucos no ciclo de privação/compulsão, para conseguir tratar a compulsão normalmente é preciso estabilizar estes níveis. Eu li sobre pessoas que conseguiram encontrar este equilíbrio fazendo exercício físico todos os dias, praticando yoga e se dedicando bastante à terapia. Eu tentei os três caminhos e eles foram importantíssimos, no entanto, no meu caso, insuficientes.

Quando decidi, então, procurar ajuda de um medicamento, eu não só precisei vencer o peso do estigma de quem toma antidepressivos como tive que enfrentar alguns efeitos colaterais e ter paciência com os ajustes da dose.

Nunca mais tive uma crise desde que comecei a tomar o remédio, em maio de 2015. O que é ótimo, porém, não vou mentir: a fase de recuperação não foi tranquila. Parece que desenvolvi uma espécie de dependência do sabor daquelas comidas com muito sal, açúcar e gordura que faziam parte das minhas crises, então muitas vezes tinha dificuldade de me interessar por outros alimentos e até de cozinhar, coisa que amo fazer.

No início desse período do tratamento, eu tinha que me obrigar, como a gente se força a acordar quando está morrendo de sono, a comer alimentos mais nutritivos. Um simples arroz e feijão me fazia querer sair correndo para longe do prato e procurar a lanchonete mais próxima. Foi um processo bem sofrido.

Em julho de 2016 tomei o meu último comprimido. E sinto que, finalmente, estou conseguindo construir uma relação mais tranquila com a comida. A pesquisadora Sophie Deram diz que temos que encarar comer como respirar, já que ninguém precisa pensar para inspirar e expirar. Deve ser algo natural, instintivo. Ainda não cheguei nesse ponto e, sinceramente, não estou certa se um dia vou chegar. Talvez não exista cura para o transtorno, talvez eu tenha que estar sempre atenta. O que sei, no entanto, é que é possível deslegitimar a culpa ou a cobrança excessiva com relação à alimentação. Entender que esses sentimentos não correspondem a verdades, mas a padrões mentais e culturais.

Estou ensinando minha mente novos caminhos, mas até ela aprender a andar por eles, sei que vai acontecer de ela dar o primeiro passo na direção antiga. Afinal, ela seguiu por ali tantas milhares de vezes nos últimos anos… Então, neste momento, estou aprendendo a ser mais gentil comigo mesma. A me perdoar. A dar a mão para minha mente e ir mostrando, com carinho, qual outra estrada podemos seguir. :)

Recadinho final para quem tem compulsão alimentar (ou desconfia que tem):

Lá no início do texto eu conto que descobri que tinha esse transtorno jogando “o que é compulsão alimentar” no Google. E tive dificuldades de encontrar textos em português que falassem do ponto de vista de quem teve, daí a vontade de escrever um. Então, se você chegou aqui por meio dessa mesma busca, espero ter te dado uma luz ou pelo menos aquela sensação de “você não está sozinha”. Preciso reforçar, no entanto, que não sou médica nem psicóloga. Eu apenas li muito sobre o assunto e vivi mais de um ano tendo crises. Então, se você se identificou com minha história, converse com as suas pessoas próximas, mostre o texto pra eles. E, principalmente, procure tratamento.

Para saber mais sobre o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica:

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