Sobre reconhecer e celebrar tudo aquilo que quisermos

Acredito que grande parte das nossas frustrações e do sentimento de culpa ou fraude nasce da expectativa.
expectativa
substantivo feminino
situação de quem espera a ocorrência de algo, ou sua probabilidade de ocorrência, em determinado momento.
O que quer dizer que já tínhamos uma ideia de como aquela coisa deveria ser. Um padrão a seguir, pelo menos em partes. Relacionamentos, criação de filhos, como você gasta o seu dinheiro, com quem anda, para onde viaja, em que trabalha, as notícias que lê e de onde vem o seu prazer. Todas os detalhes que compõem a nossa vida, a direção que tomamos e que muitas vezes parece ser natural, vinda de dentro, mas que na verdade foi incorporada desde a nossa infância, através do que víamos dos adultos ao nosso redor, em casa, na escola, na tevê, ouvindo do amigo que viu dos adultos ao seu redor e assim vai. Campo fértil para a expectativa. E para a frustração.
Quis começar falando disso porque acho que tem tudo a ver com o que quero te (e me) perguntar. Você costuma celebrar as suas conquistas? Reconhece e curte quando faz algo bom ou que queria muito? Se sente confortável fazendo isso?
Nem sempre eu me sinto à vontade, confesso. Sou muito crítica comigo mesma e perceber isso tem sido um baita exercício para mudar o meu olhar sobre os meus feitos. Escrevi um livro e demorou pra cair ficha de que, putz!, é real! Eu consegui! Primeiro eu vi uns defeitos, primeiro eu diminuí a minha experiência com um “ah, não foi nada” ,“podia ter escrito mais, ele é muito fino”. Mesmo feliz, mesmo realizando o sonho da vida e aquele clichê todo, antes de celebrar eu me cobrei. Gestei, pari, amamentei e estou criando uma filha incrível e de vez em quando o olhar ainda fica parado no que não posso oferecer pra ela, ou na shantala que eu não fiz quando ela era recém nascida porque estava ocupada demais tentando não enlouquecer com todos os meus fantasmas no meio da madrugada. Tenho uma página no instagram que é o meu trabalho mas nem sempre consigo divulgar ou mesmo fazer coisas novas por pensar demais no que vão dizer. E nem preciso procurar muito para ver uma Marina de 8 anos chorando porque errou 2 questões na prova de português. Uma cobrança surreal que eu não aguento mais carregar.
Precisamos aprender a praticar a gentileza com a nossa história. A pegar leve com a nossa bagagem. A olhar para o que está bom também. Não é questão de romantizar as dificuldades, mas entender que nem tudo na nossa vida precisa ser mudado. Precisamos falar mais sobre isso, normatizar o diferente, falar para as crianças que cada um tem seu tempo e sua estrada. Quem sabe falando também não vamos internalizando que tá tudo bem assim, né?
E elogio, você consegue aceitar sem se justificar? Semana passada recebi algumas mensagens agradecendo ou elogiando meus textos e a mensagem que venho passando. O que eu gosto de dizer é: obrigada por ter me falado. Porque é importante pra mim saber e eu não quero mais esconder isso, como se eu “me bastasse”. Não basto. Não em tudo. Não é sobre ego, é sobre o calorzinho bom do reconhecimento, sabe? Não precisa estar perfeito pra gente fazer, ou receber elogios, ou ser premiado. Eu vejo mil defeitos no que faço, mas estou fazendo mesmo assim. Aprendendo a passar por cima do meu próprio julgamento e indo em direção ao que eu quero de verdade. Que é escrever, me conectar com pessoas, passar a minha mensagem, inspirar.
Com toda essa autocrítica e cobrança exagerada vamos perdendo as pequenas coisas que conseguimos hoje. Se organizar pra não chegar atrasado, acordar 30 minutos mais cedo para se exercitar, preparar as refeições em casa, sentar pra brincar com os filhos, ver um filme no fim da noite, conseguir trabalhar num café, fechar um contrato, começar a aula de yoga que estava há tempos na lista de espera. Não enlouquecer no trânsito, falar sobre sentimentos, meditar. Não podemos perder isso. O sentir, o movimento, a roda girando.
O texto da minha amiga Gabi Ramalho me deu esse estalo maravilhoso e quis vir aqui fazer o desafio: vamos celebrar nossos acertos e nossos dias ensolarados? As pequenas coisinhas do dia a dia, os grandes feitos. Qualquer coisa que nos deixe orgulhosas e com um quentinho gostoso dentro do peito. Pode tirar foto e postar nas internets, pode escrever e guardar pra você, pode apenas parar 2 minutos quando perceber e desfrutar do sentimento. Pode ligar pra alguém, abrir um vinho ou qualquer outra coisa que faça sentido pra você e que configure a ideia de celebração, de reconhecimento, de autoestima lá em cima porque sim, hoje eu quero me permitir.
Eu sei que o discurso é de que, nas redes sociais, a gente só mostra o lado bom, colorido e perfeito da vida, com mil filtros e floreios. Mas não estou falando do que os outros vão ver da sua vida. A ideia é que você se sinta bem sendo quem você é, fazendo o que você faz. Aí dentro. Não só dos olhares que chegam de fora, mas do seu com você mesmo.
Em que você arrasou hoje? No que está sendo foda? Me conta! Eu vou adorar saber e celebrar contigo.
Então está feito. DESAFIO: VALORIZE QUEM VOCÊ É, O QUE JÁ TEM, O QUE SABE FAZER. A partir de hoje, segunda-feira, 24 de julho de 2017 até o próximo domingo, dia 30 de julho, eu vou postar uma foto com a hashtag #paracuidardemimcelebroquemeusou lá na página do instagram @paracuidardemim. Se fizer sentido e quiser compartilhar seu processo, use a hashtag e pode me marcar na foto também. Vamos juntos nesse aprendizado.