Ânsia Verde

Pelas camadas da minha derme eu costuro

A receita para viver menos incerta:

Devo consumir somente o que é seguro,

Já que cada sabor seria como alerta.

Meu paladar, porém, continua imaturo!

Queria eu, de alma sedenta e boca deserta,

Ao menos sentir os cheiros do futuro,

Aquele pomar invisível que me cerca.

Entorpecida por sombras densas, não luto:

Até me obrigo a procurar constantemente

Pela receita perfeita, o plano absoluto

E esqueço a realidade à minha frente…

Assim, eu fico sem ver que o pomar dá frutos

E que sua fragrância se chama presente.

25/06/17

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