Lingotamento Contínuo

A Quarta Revolução Industrial começa:

Engenhos d’alma azeitados por apatia

Movem-se intensamente e trabalham depressa

A torturar calcando a vida que se fia.

Óleo que escorre, coração sem fala:

Figura compulsoriamente obediente.

E nós, máquinas, não quebramos ao encará-la

Em sua marcha fúnebre pelo oriente…

O puro anil celeste esmorece cinzento

Enquanto metal talha na carne sua arte

E assistimos mecanicamente ao momento

Em que aquele ser fica pronto para o descarte:

A alma esfarelada é levada pelo vento

Fundindo-se finalmente à areia escarlate.

19/09/16