Manual da Garimpeira: 10 dicas para garimpar em brechós, liquidações e feirinhas

Os meses de julho e agosto são a época das remarcações das lojas de departamento e eu, como boa garimpeira que sou, já fico maluquinha para andar por aí. Além desse tempo de promos, durante todo o ano os brechós nos encantam com suas peças bem selecionadas, de bom gosto e o melhor, baratérrimas, se pensarmos no custo benefício. Eu me encantei a primeira vez com um brechó em Gramado, que tinha uma decoração vintage e muitos achados por um preço ótimo e diferentes de tudo que eu já tinha visto no meu guarda-roupa e nas lojas por aí. Aí foi amor à primeira vista e um relacionamento feliz que dura até hoje. Isso que encanta nos brechós: aquela peça única, que parece feita para você, mas que já tem uma história.

Seja em brechós ou liquidações, a palavra de ordem é garimpar. Por isso, separei algumas dicas que funcionam comigo e quero compartilhar com as leitoras que pensam em se aventurar neste mundo de descobertas, quase uma caça ao tesouro ❤

  1. Tempo é fundamental para a garimpeira

Nada de saltos, maquiagem carregada ou roupas desconfortáveis. O dress code da garimpeira é a cara de maluca, coque alto, sapato confortável e muito tempo para olhar tuuuudo com os mínimos detalhes. Você vai descobrir um exercício super gostoso de autoconhecimento do seu estilo e passar um tempo consigo mesma, afinal o bom garimpo é um ato solitário.

2. Mente aberta é o lema

Garimpeira boa é aquela que vai sem preconceito e se joga no mundo do diferente. Que tal aproveitar a calça disco-azul-piscina-vintage do brechó para ousar com poucas granas? A hora de comprar peças diferentes é agora e não naquela loja caríssima. O básico sim, vale um bom investimento. Se você não gostar, basta trocar com uma amiga, desapegar ou customizar. Para ir entrando neste mundo, eu recomendo o blog Oficina de Estilo. Com o lema “Substitua consumo por autoestima”, as meninas ensinam como se vestir consciente, sem modismos e pensando na qualidade e não quantidade. A ideia é sempre pensar em uma nova forma de consumir moda.

3. Customizar, ajustar, tingir…garimpeira usa a criatividade

Vale sempre pensar no custo benefício se achar uma roupa que você amou, mas não é do seu tamanho. Se você tem uma costureira de confiança — eu tenho a minha vó – vale garantir a peça e ajustar depois. Outra ideia é customizar, com paetês, tecidos, um corte diferente (a Betânia já deu dicas de como fazer a sua roupa com franjas). O único cuidado é que a peça seja no máximo 2 números maiores que você, porque senão fica beem estranho e é difícil mesmo de ajustar. E gente, o mesmo não vale para sapato, tem que ser o seu número sempre, senão machuca e vai ser mais uma coisa parada no armário.

4. Olhar a qualidade e limpeza da peça sempre

Não é porque é brechó ou liquidação que a peça precisa estar suja, amassada ou rasgada. É sempre bom cuidar, principalmente em lojas de departamento, como está a costura, se não falta botão ou paetês (estes são bem fáceis de estragar e sempre estão em promoção), se a peça não está suja ou manchada de desodorante de outra pessoa (eca!). Vale uma ida até o provador com a peça para olhar — naquelas luzes quase de sala de cirurgia — a qualidade da peça.

5. Garimpar é olhar tudo mesmo e provar

Vale os balaios de 1 real, as araras masculinas, os acessórios, cabide por cabide e ir separando o que você gosta, até pra colega não roubar :p E sempre provar as roupas: não é porque é barato ou está em liquidação que você precisa de mais um objeto não identificado na pilha de roupas do seu guarda-roupa, não é? Só leve o que for usar mesmo!

6. Roupas de brechós contam história

Roupa de brechó não é coisa de morto, ok? É só uma peça que não cabe mais no estilo — ou no manequim mesmo — de uma pessoa, que teve uma atitude linda, sustentável e resolveu passar a diante uma roupa que viveu histórias, amores, tristezas, alegrias e agora esta energia merece uma nova dona. Desapegar é um ato de amor ❤

Um brechó muito charmoso, aqui em Santa Maria, que eu amo há muito tempo é a Garagem Mix. Lá você encontra peças lindas, cheirosos, de ótimo bom gosto e ainda conta com a super simpatia das meninas.

7. E as liquidações?

As liquidações são diferentes de brechós, pois geralmente mandam embora peças novas da coleção passada, para dar espaço para as novidades da marca. Assim como nos brechós, as liquidações servem para procurar uma peça diferente mais barata ou até mesmo garantir uma peça básica pela metade do preço, mas com a mesma qualidade. É bom aproveitar também para procurar bons acessórios como bijus, lenços, bolsas, que garantem visuais incríveis com alguns ajustes e muita criatividade.

8. Feirinhas de artesanato

Outra ideia que é a cara da garimpeira é uma boa feira de artesanato. Além da moda e artesanato autoral manual e exclusivo, são lugares ótimos para passear, conhecer gente nova, peças diferentes e artistas de rua. Aqui em Santa Maria, o Brique da Vila Belga é um ótimo lugar para conhecer e garimpar peças lindas feitas por artesãos (além dos brechós). O Camelô 2.0 promovido pelo Macondo Lugar também é ótimo para ver o trabalho de pessoas super criativas daqui.

9. Trocar é muito legal

A troca era a moeda existente por muito tempo na história. Hoje em dia, com a nova economia e conceitos de consumo sustentável, a troca de roupas virou uma alternativa legal para renovar o guarda-roupa sem gastar nada. A ideia é juntar um grupo de amigas e promover um dia de troca de roupas limpas e em bom estado para que o que está estacionado na nossa casa seja feliz em outra. Eu e uma amigas promovemos o Happy Hour da Troca, que já está na 2 edição, justamente com este objetivo. É uma tarde entre amigas, com muito câmbio de roupas e acessórios, com guloseimas e muita risada. Já garimpei peças lindas e que eu estava super precisando como um blazer animal print, short jeans, jaqueta de couro, bolsas lindas e muito mais. Que tal promover um destes com as amigas?

10. A garimpeira pensa no consumo sustentável

Sustentabilidade na moda — ainda bem — virou modinha do bem, estamos pensando em novas formas de consumir moda. As pessoas já perceberam que nosso mundo é uma bomba relógio, que os recursos naturais já estão se esgotando e que a sustentabilidade deve ser uma das nossas prioridades se pensarmos no que queremos para o futuro. Existe uma produção excessiva no mundo da moda, produtos em grande escala, sem exclusividade e preocupação com o meio ambiente — tecidos sintéticos, por exemplo, são um veneno pois utilizam recursos não renováveis, como petróleo. Por isso, na hora de comprar devemos pensar também no global ou em um novo conceito chamado “glocal”, pensar o global com resultados locais. Um livro ótimo que mudou o meu pensamento foi o Eco Chic, da escritora inglesa Matilda Lee. Ele fala deste consumir de forma mais sustentável, a importância de saber a procedência do que compramos, fala dos tecidos e empresas que pensam na natureza e mais outros assuntos relacionados — o capítulo sobre o trabalho escravo na China é de arrepiar.

Espero que o manual tenha ajudado um pouquinho e despertado o bichinho do garimpo, que é uma delícia. Tá na hora de pensarmos melhor no que compramos, por que compramos e o que queremos baseados na ideia de futuro. Menos e com mais qualidade é sempre melhor. Finalizo com um texto ótimo de um blog que eu amo e acompanho, o Hoje vou assim Off, que falar sobre “Limpeza nas ideias, no armário e no estilo de vida”, que fala sobre como a blogsfera cansou desse consumo desenfreado, mil posts com coisas que nunca teremos e passou para a cultura dos armários reduzidos, saber comprar e um novo estilo de vida e de pensar a nossa moda.

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