Janela da Alma : ?

Vou falar aqui de uma resenha que fiz há algum tempo sobre o documentário “Janela da Alma”, que pode ser visto na íntegra neste link abaixo.

Resenha o documentário “Janela da Alma” de 2001, dos diretores João Jardim e Walter Carvalho.

Nesta obra os diretores narram diversos olhares sobre o olhar. Contudo, algo tem de ser levado em consideração. “Janela da Alma” não é sobre respostas ou sobre uma história. É sobre perguntas. É sobre transpassar ao que é normal. Ao que é comum. A obra nem mesmo pode ser sintetizada em uma única questão. É uma soma. E a resenha não poderá fugir. Narrar o relato deste ou daquele entrevistado seria perder a essência do que a obra traz: O subjetivismo. O intervalo. Os entrevistados são dos mais diversos. E são entrevistados por motivos mais diversos ainda. Desde de terem problemas no sentido “visão” que temos, até estudar de forma clinica a questão até por terem escrito e colocado em obra cultural o assunto.

O que é realidade? O que é ver? Se há uma mediação entre o mundo e a compreensão do que é a realidade, como objetivar estas possibilidades? Como se explicar a visão? O que é que olha pela janela da alma? Outra alma ou outra janela? Quando há um mundo para se ver mas nada vemos, perdemos a visão? O que é ser cego num mundo onde todo tempo se é bombardeado por milhões de informações? As imagens podem contar histórias, mas como saber o que é ver e ter tempo de processamento para as milhões de imagens cotidianas? As histórias desconexas que milhões de imagens contam nos fazem cegos? Ainda vemos o mundo ou apenas percebemos uma realidade?

Temos que ter dó de alguém que tem alguma problemática que lhe impute a visão que não é “normal”? Eles sonham como quem tem o sentido intacto? O que todos vemos é normal para cada um? A vista para? Como sentir falta de uma suposta visão normal que nunca se teve? A visão dos dois olhos cala a visão do terceiro olho? Como olhando para um imã eu enxergo seu plano de influência nos metais se tal é invisível? O quão invisível as coisas são para os olhos da imaginação?

O homem que confunde a mulher pelo chapéu vê, mas olha? Reconhece?

O que é certo e errado se toda informação visual tem mediação de conceitos e valores? Como lidar com o sentimento de fracasso em viver em um mundo visual sem visão?

E se fossemos todos cegos? Não estamos? Cegos de razão? Cegos de uma realidade? Somos cegos para tudo o que nos faz humanos? Como não sermos cegos em um mundo que perdemos a funcionalidade de termos relações humanas?

Nos reconhecemos na visão? Nos reconhecemos nas coisas que vemos? Nos reconhecemos na nossas imagens?

Como fugimos da Caverna?