Viver é como fazer cuscuz

Eu acordei hoje bem cedinho e preparei um cuscuz. Tinha bastante tempo para fazer tudo, mas decidi usar a cuscuzeira com a água da noite anterior (que eu não vi, mas era pouca). Para não perder tempo (apesar de eu ter naquele momento bastante tempo), eu só joguei a massa descansada lá dentro e a pus no fogo. O problema foi que a água do cuscuz anterior não era suficiente pra esse novo e ele simplesmente queimou antes de cozinhar. O cuscuz se tornou minha própria pressa e eu a comi com café.

O que pude aprender com isso foi que: cada cuscuz é um cuscuz, único em si. Não adiantou, para mim, querer aplicar as coisas de um lugar em outro. Ganhar tempo, às vezes pode ser uma forma não consciente de perdê-lo. Ser esperto, às vezes, apesar de parecer inteligente, pode ser estupidez. A experiência do agora requer consciência NO agora. O antes serve como experiência, não como guia. O nosso depois merece sempre ser um cuscuz bem gostoso feito com carinho e passado requeijão, mas, para isso, é preciso sutileza e paciência. Não apresse o rio, ele corre sozinho.