Brasil, uma nação afundada na covardia

Sim, covardia, com esse termo denomino nossos políticos. Covardes por não acreditarem que sua verdade possa ter reflexo na sociedade, se escondendo em demagogias para agradar à maior parte da população, que em grande parte continua contrariada.

Não gratuitamente se vê tanto apoio ao Bolsonaro. Mesmo considerando-o um dos crápulas da política brasileira, ele bate o pé no chão e, com convicção, defende seus pontos de vista, doa a quem doer. Com mais de um milhão de votos em seu estado continua se reelegendo e trazendo consigo seus colegas de partido e coligações.

Em meio a papos furados, a maioria de nossos legisladores não conseguem nem se eleger independentemente, tendo que recorrer às sobras eleitorais de colegas, como vimos nas notícias do período do julgamento do prosseguimento do processo de impeachment da Dilma, agora ex-presidenta.

Ora, há uma clara necessidade de uma reforma política para adequarmos as normas ao cenário atual, visto que nossa representatividade está comprometida. Mesmo assim, alguns políticos ainda conseguem se destacar e angariar muitos votos, votos advindos de pessoas que acreditam na proposta ou posição exposta.

Tivéssemos maior transparência, clareza e firmeza nas declarações, deixando de lado as demagogias vazias e sem ação, provavelmente teríamos candidatos mais interessante e que gerariam mais empatia.

Exercer papel político implica saber que não podemos agradar a todos e nem devemos. Não fomos eleitos para fazer tudo a todos. É fato que há de se negociar com outrem. Ao mesmo tempo, isso não significa que devemos também perder nossa identidade. Qual é a agenda de fulano? E a pauta de cicrano? Arrisco dizer que 99% não tem nenhuma que valha um voto.

Em meio a essa falta de caracterização, a intolerância só nos deixa prejuízos em relação à construção de ideias. Deixamos de lado o fato de que tanto "direita" quanto "esquerda" são vizinhos que vivem dentro de um mesmo país. Ambos querem melhorá-lo ou pelo menos deveriam. Fatalmente, a intolerância nos leva à falta de diálogo, já que a mera constatação de que você é um opositor, em um ambiente intolerante, já te desqualifica como um potencial agregador às minhas propostas.

"Quem não pensa 100% como eu está automaticamente errado, independentemente de quais argumentos sejam trazidos à luz."

A polarização e a intolerância nos freia a todos. Não existe o bem e o mau nessa história. Não somos santos que querem do bom e do melhor, quando não conhecemos toda a pluralidade brasileira, toda a sua extensão e riqueza. Mesmo que conhecêssemos, não seríamos o outro. Portanto, como saber que tal rota é a melhor para todos, com o ar de um messias?

Volto a dizer, nossos políticos são covardes. Que se aproveitam do analfabetismo político-cultural nacional para vomitar palavras que soam belas, mas que não têm valor real, pois não realizam (e talvez nem acreditem). Ouvimos promessas maravilhosas de um sonho que desejamos, mas que não se concretizam.

Covardes que não tomam as crenças faladas como seu norte.

Covardes que teimam em repetir o discurso pré-fabricado.

Covardes que deixam a população desamparada.

Covardes que se elegem para si e sua vaidade.