Sai, zika! Vem, ouro olímpico!

Um milhão de toneladas saem das costas dos jogadores, principalmente do Neymar. De xingado a medalhista de ouro.

Em primeiro lugar, finalmente encontraram um modo de a seleção jogar que evidencia as qualidades dos brasileiros. Sempre digo que o problema não são os jogadores, é a organização do time, que mesmo sem tempo pra treinar, evoluíram durante as partidas sob pressão da torcida cobradora.

Um novo jeito de jogar

Ainda que sem "grife", o técnico Micale consegue a tão aguardada medalha de ouro olímpica. O 4–2–4 com bastante movimentação caiu como uma luva para o poderio ofensivo canarinho: Neymar, Luan, Gabigol e Gabriel Jesus na frente; com Walace e Renato Augusto na bola de segurança, no meio; pelas laterais, Zeca e Douglas ; Marquinhos e Rodrigo Caio fechando a zaga; e o goleiro catador de pênatis, Weverton.

Neymar, sem ter feito uma preparação ótima antes da competição, não se saiu bem jogando na sua posição original, a ponta esquerda, nos dois primeiros jogos. Mas ele possui mais do que o drible e a finalização, mostrou sua visão de jogo e precisão nos passes. A partir daí, uma nova esperança surge, utilizar o Neymar como camisa 10. Não só 10 na camisa, mas na função: chamando o jogo e distribuindo bem a bola. Os outros 3 atacantes se movimentam para receber e criar jogadas, 1–2, toca-e-passa pra puxar a marcação, inversão de bola, infiltrações na área, juntamente com o apoio dos volantes e zagueiros para tirar a bola da marcação gringa e manter a sua posse.

Defensivamente o time é muito consistente. Mesmo sendo um time essencialmente sub-23, a defesa brasileira ganha a competição com somente 1 gol sofrido — sim, apenas contra a Alemanha, na final. Zagueiros rápidos e atentos, laterais muito esforçados e com aptidão ofensiva, volantes com presença e bom toque de bola e pontas voltando para marcar os laterais adversários. O menos aplicado defensivamente era Neymar, tendo em vista sua condição física e nova função em campo.

Final equilibrada

No início do jogo, afobação por parte dos donos da casa frente a uma seleção bem estruturada. Chutões pra frente e erros de passe não deixam o nosso futebol se desenvolver em campo. Enquanto isso, a Alemanha cria as melhores chances de gol, mas eles não contam com a qualidade técnica dos jovens mandantes. Uma falta à distância de 28m muda a cara do jogo. Nosso maestro vai para a cobrança: travessão e gol! Impossível o goleiro pegar essa bola!

A partir daí, o jogo fica mais fácil? Nem um pouco. Os adversários não aceitam perder tão facilmente, com sua troca de passes e velocidade desorganizam a marcação, criando oportunidades para empatar a partida. Os canários ficam com o controle do jogo, trocando passes e avançando em seu próprio ritmo durante o final do primeiro tempo.

A gente consegue ganhar desses robôs alemães? Não é a seleção principal, mas os caras tem um time muito bom…!

E começa o segundo tempo, a Alemanha vem com tudo e, em um cruzamento a média altura, Meyer chuta de primeira e balança as redes. Tudo igual no Maracanã…

Não é possível que nunca mais ganharemos dos alemães! Como podemos ganhar desse time tão organizado?

Como o time vai se comportar depois de ter sofrido seu primeiro gol na competição, ainda mais sendo A GRANDE FINAL? Muita pressão da Alemanha durante a primeira parte do segundo tempo. Mas ainda não é tempo de jogar a toalha, ainda temos muito futebol pra mostrar.

Durante a segunda parte do segundo tempo, o jogo se inverte, é o nosso time indo pro ataque, valorizando a posse de bola, driblando, invertendo o jogo, usando bastante os laterais, se movimentando entre a marcação para criar espaços… Nada feito, as finalizações não entram, o placar se mantém. Mesmo com a pressão brasileira, temos um empate e vamos à prorrogação.

O Brasil mantém sua postura ofensiva e tenta sufocar a máquina alemã. Criamos várias oportunidades para desempatarmos o jogo, mas o cansaço de Luan e a falta de ritmo de Felipe Anderson e Rafinha frustram os anfitriões.

Micale pode fazer mais alterações — já tirou Gabigol pelo baixo rendimento e Gabriel Jesus por cãibras — devido ao desgaste de jogadores como Renato Augusto, Walace e Luan (além do Neymar, mas ninguém o tiraria na prorrogação). Mesmo com duas substituições no bolso e um time exausto, o treinador opta por não substituir mais ninguém. E em meio a essa exaustão, a vontade e o talento continuavam a dar as caras, em lances que poderiam resultar em um gol verde-e-amarelo… Mas o destino caprichoso nos guarda o final mais dramático, a cobrança de pênaltis.

Será que eles ainda têm forças pra bater pênaltis? Será que estão nervosos demais para chutar direito?

Apesar do cansaço físico e mental dos 120 minutos jogados, com muita concentração ambos os times vão colocando todas as bolas onde elas pertencem: dentro das redes. A frieza e a precisão nas cobranças não são qualidades apenas dos europeus.

Na última rodada de cobranças, os alemães batem primeiro e… Weverton defende! Para a alegria da torcida, temos a vantagem!

Agora só falta a cobrança de Neymar, contestado no início da competição, será que ele vai marcar ou será que vai dar uma de Messi (que errou na final da Copa América)? Com seu gigando, o camisa 10 parte para a bola e chuta… GOL! GOL DO TÍTULO! GOL DA MEDALHA DE OURO!

Para a felicidade da nação, sedenta por algum resultado positivo após o 7x1, na Copa do Mundo: o grito de campeão olímpico é ineditamente entoado no Maracanã!


Melhor partida do futebol da Rio 2016. E com o melhor desfecho possível. Valeu, nova geração! Vocês mostraram que jogam muito!