Muda!

A bomba cai. Destrói quilômetros de verdades. E ela não diz nada. A cobra sai. Parte em busca de outro ataque. E ela não diz nada. A vida vai perdendo-se em eventos e vontades. E ela não diz nada.

Dos outros dias eu só lembro de ver um sorriso amarelo sentado na mesa de um bar. Dos momentos que previa entre cinismos e olhares de desespero desprezamos o mar.

Caçava a palavra enterrada em sua boca. Imaginava suas letras escancarando uma feliz cantora, revelando uma verdadeira oradora, uma língua voadora vindo em minha direção. Mas era sempre a boca selada, seca, embalsamada pela falta de um som.

Queria saber o que se passa na sua cabeça enquanto sua esfinge finge que inventa um silêncio natural. Queria entender se o motivo da boca seca é a dura batida nas curvas lentas do seu espasmo labial. Queria entrar pelas suas presas, sentir o som que ecoa e tenta se libertar das barreiras de um silêncio sem igual. Mas a inspiração se vai. O tratado de versos acaba. E ela não diz nada.