Do fim da Biometria

Modelo de biochip vendido na internet (Divulgação/Dangerous Things/VEJA)

Vive-se uma época de amplo uso da leitura biométrica como forma de evitar roubos do dinheiro da sua conta bancária ou que outra pessoa use seu vale eletrônico, entretanto a biometria não é um sistema tão seguro e pode ser falsificado. Então é necessário que uma nova maneira de fazer transações comerciais seja colocada em prática como é o caso do biochip.

Para entender melhor a suplantação da biometria pelo biochip, faz-se preciso voltar no tempo e entender o que é dinheiro e como este evoluiu ao longo da história humana. O dinheiro é uma abstração, ou seja, neste caso é um símbolo que representa o meio pelo qual as pessoas trocam bens por outros. No início da história humana as pessoas praticavam o escambo em que se trocava um bem por outro, porém tal sistema não durou muito visto que nem sempre alguém queria o produto que você estava oferecendo ou tinha o que você queria.

Eis que um metal raro começa a ser utilizado como dinheiro nas trocas de bens, trata-se do ouro. Todavia dois problemas surgiram do uso desse metal como dinheiro: Risco de perder tudo que tem e mobilidade. Os ladrões ao roubar o ouro das pessoas acabavam por destruir o patrimônio dessas vítimas o que causava insegurança ao trabalhar e carregar um saco cheio de moedas não era algo prático além de que seria uma presa fácil para os bandidos. Surgem então os bancos que no princípio eram administrados pelos ourives, pois estes precisavam proteger a matéria-prima utilizada no trabalho e por isso tinham guardas e cofres em casa. Os aurífices passaram a guardar o ouro da população mediante uma taxa e em troca emitiam uma carta de crédito que era usada no lugar do ouro para empreender as transações financeiras e se quisessem podiam resgatar o ouro se apresentasse a carta de crédito.

A humanidade evoluiu e a troca de bens acompanhou a marcha. No século 19 os países europeus e depois o resto do mundo adotaram o padrão-ouro em que todo dinheiro emitido pelo governo tinha que ter lastro, ou seja, uma quantidade em papel moeda equivalente com a reserva em ouro do país. Caso o estado desejasse emitir 700 milhões de libras esterlinas no mercado deveria conseguir 700 milhões em ouro para poder emitir esses milhões de papéis no mercado. Tal prática impedia a inflação, mas esse modo de troca de bens também não durou muito devido principalmente à 1ª Guerra Mundial e os outros eventos históricos subsequentes como a Grande Depressão e a 2ª Guerra Mundial. Depois disso um sistema semelhante ao padrão-ouro foi adotado na Conferência de Bretton Woods, mas em 15 de agosto de 1971 o presidente norte-americano Richard Nixon acabou com a convertibilidade do dólar em relação ao ouro o que tornou o metal numa mercadoria e não mais em um meio de transação comercial, assim o sistema monetário passou a atuar no esquema de taxas flutuantes de câmbio.

O século 19 foi o século do ouro, o século 20 o do dólar, e o início do século 21 o das moedas digitais e da biometria, mas o século 21 como um todo será marcado pelo uso do biochip. A moeda digital traz uma certa segurança aos que a utilizam, o que não se pode dizer o mesmo da biometria. Apesar de ser um sistema tido como seguro, a biometria é passível de falha, pois já existem métodos de falsificação da impressão digital e também ao longo da vida a digital não permanece a mesma de antes o que pode gerar constrangimentos como na hora de pagar a passagem do ônibus. Um cliente que use apenas moeda digital pode de repente ser roubado e todo o dinheiro que acumulado terá virado pó.

O biochip por sua vez tem várias aplicações principalmente quanto a saúde de quem usa, pois através dele pode-se detectar a mais sutil alteração no corpo. Os benefícios são inúmeros como o implante coclear que permite ao usuário a restauração de perceber sons que outrora era impossível ou no tratamento de doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Muitas pessoas temem que o esta nova tecnologia propicie um aumento do controle dos governantes sobre o povo, mas se deve perceber que em toda história da espécie humana certas pessoas usaram métodos para impor a própria vontade sobre os demais seja o uso da terra, o controle das minas de ouro ou o acúmulo de dinheiro. O que muda é o dispositivo utilizado para submeter os demais, então não será a não utilização do biochip que criará um mundo melhor, mas sim a mudança da consciência das pessoas. O biochip será o dinheiro do futuro, mas é claro que muitas pesquisas devem ser feitas para que ele seja usado em larga escala e de maneira ética.

O dispositivo é uma realidade que evidencia que assim como antigamente as pessoas deixaram de usar ouro para usar papel, no futuro as transações econômicas provavelmente serão eletrônicas e o modo de pagamento será completamente distinto do que é agora.