Manifesto contra o Separatismo

Mapa sobre as eleições de 2014 elaborado por Thomas Conti

Depois da eleição para presidente do Brasil em 2014 um sentimento de separatismo eclodiu nas redes sociais acusando os nordestinos de serem os responsáveis pela reeleição de Dilma Rousseff, entretanto o que se vê não é somente uma aversão ao PT, mas também um preconceito arraigado contra os nordestinos e às classes baixas.

Desde que o Nordeste foi invadido por tropas holandesas e que a capital da colônia foi transladada de Salvador para o Rio de Janeiro juntamente com a exploração de metais preciosos no Sudeste os governantes “esqueceram” de investir no Nordeste, a única coisa que esta região produzia de relevante para a exportação era o açúcar que depois foi suplantado pelo lucrativo comércio de café. Essa situação durou até o fim do Império, mas o que se viu foi a república do café com leite excluindo as outras regiões (principalmente o Norte e Nordeste) dos rumos da nação. As classes privilegiadas sempre tiveram um profundo desprezo pelas classes subalternas. Antes tal ojeriza era direcionada para os negros escravizados, todavia algumas modificações ocorreram no país e não só os negros passaram a ser marginalizados, mas toda a nova e emergente classe proletária. Quando algum político começava a tomar o partido dos pobres ele passava a ser chamado de demagogo, populista e manipulador das massas e infelizmente tais acusações continuam no século XXI.

Com a reeleição de Dilma Rousseff milhares de comentários apareceram nas redes sociais afirmando que nordestino vive de esmola, é néscio e, portanto, não deveria votar. Além disso postavam proposições como separação do país, impeachment da presidente e uma visão apocalíptica do futuro. O Nordeste durante séculos foi negligenciado pelos governantes, então quando um presidente decidiu ampliar e unificar políticas assistencialistas criadas pelo antecessor muitos reclamaram que é uma atitude demagógica e que não estimula o brasileiro a obter emprego. Todavia esqueceram os séculos de negligência que forjaram regiões extremamente pobres, enquanto outras, imensamente ricas, são atingidas pelo inchaço populacional.

A grande mídia ao mostrar o mapa da eleição para presidente apresentou um infográfico maniqueísta para vender a ideia de que o Brasil está dividido ao ponto do separatismo tornar-se algo real e não mais uma utopia de certos grupos extremistas. O papel dos meios de comunicação deveria ser buscar fielmente mostrar a realidade e não um mapa dividido entre vermelho e azul que só alimenta a segregação e o ódio entre brasileiros. Felizmente, salvou-se o historiador econômico Thomas Conti, que fez um mapa mostrando a distribuição dos votos de forma não tão dicotômica como apresentada à população.

O Brasil por ser um país de proporções continentais é de se esperar que haja certa discrepância na economia e outras características das regiões do país, basta ver os Estados Unidos cuja região sul é menos desenvolvida do que a parte norte. O que acontece é que com o crescimento econômico do Norte e Nordeste muitas pessoas estão voltando para estas regiões, o que resulta na diminuição no número de mão de obra barata provocando a elevação dos salários e consequentemente aumentar os gastos dos empresários. O país e quiçá o mundo necessita se distanciar da hostilidade e operar de maneira fraterna.

Se o Brasil não melhora unido tão pouco depois de uma divisão, portanto esta pretensa onda separatista deve ser rechaçada por toda a população. O separatismo não é a saída para um futuro melhor e sim a unificação não só de um país dividido por um breve momento, mas de todo o planeta.