"Eu mereço"

O que você sente que merece de fato nessa vida? Quando uma pessoa te elogia, como você reage? Quanto você se expõe para exigir seus direitos? Como é custoso nos enxergarmos como alguém merecedor: de afeto, de riqueza, de felicidade, de prazer. Estamos acostumados com a falta e com a escassez: quem sou eu para merecer tudo isso? Ser humilde é admirável! Certo?

Se estivermos condicionados a essas carências o sentimento de sermos dignos de algo surge de forma compulsiva. O famoso "eu mereço" pode estar associado por exemplo a um excesso de compras ou à comidas nada saudáveis. "Trabalhei tanto, ajudei tanta gente, agora é hora de me recompensar", é importante observar o que está por trás desse sentimento.

Os exemplos acima, na verdade, são formas de autopunição. No momento surge o sentimento de euforia, mas depois vem a culpa e o arrependimento. "Por quê eu fiz isso?". O que parecia uma autovalorização é uma forma de se sabotar. Creio que esse processo tem muito a ver com quem não se apropria de suas escolhas ou não faz escolhas a partir do que realmente quer para a sua vida, mas sim do que é mais valorizado pelos pais, pelos amigos, pela sociedade. Quem está conduzindo a sua vida atualmente?

É muito comum também esperarmos que o reconhecimento venha do outro por não conseguimos nos dar a devida importância. Como vou receber algo que eu mesmo não me sinto merecedor? Esperar que quem está ao redor entenda as nossas faltas e nos preencha pode gerar sofrimento. O outro não é responsável por isso.

Precisamos urgentemente nos olhar com compaixão. Não precisamos trabalhar arduamente e nos sacrificar para ter algum mérito. Esse tipo de pensamento é aquele que está enraizado na nossa cultura de culpa. Quando nos cuidamos e nos valorizamos, damos a permissão para que quem está em volta faça o mesmo com a gente e consigo próprio. Pergunto novamente: "O que você sente que merece de fato?". Desafie-se hoje e dê um pequeno passo em direção ao que você merece. Conte aqui como foi e como você se sentiu.