“Não eu — nem ninguém mais, pode trilhar esse caminho por você. Você deve trilhá-lo por você mesmo.” Walt Whitman

Jornada de ida, jornada de volta

Marisa Bussacos
Aug 28, 2017 · 3 min read

Essa foto foi tirada durante as minhas férias. É de um caderno de anotações que nos faz refletir sobre o nosso papel como viajantes. Entendo que viajar seja muito mais do que conhecer lugares turísticos, tirar lindas fotos e fazer compras. Para mim, viajar é uma oportunidade de nos olharmos de formas diferentes, de nos experimentarmos em situações inusitadas e conversarmos com pessoas que no nosso dia a dia provavelmente ignoraríamos. Talvez por pressa, por um olhar viciado ou por estarmos fechados no nosso próprio mundo.

Quando saímos de férias parece que um portal se abre, que todas as oportunidades estão ali para serem vivenciadas intensa e viceralmente. Mas por que agimos assim só durante as férias? Creio que seja porque depois de tanto tempo trabalhando, enfim nos permitimos ter prazer, curtir a vida. A pausa nos faz abrir espaço para o novo e para o que surge. Coisa que na rotina esquecemos. Esquecemos de apreciar os nossos caminhos, esquecemos de enxergar de verdade o que e quem está à nossa volta.

Me dei 15 dias de férias. Durante esses dias caminhei muito, saboreei cafés deliciosos, me perdi por ruas desertas, me encontrei por meio dos mapas e fiquei fascinada pelas paisagens. Com flores. Rios entre montanhas. Pores do sol maravilhosos. Entendi como chegar de um ponto a outro, como pegar transporte público em cada cidade que passei e compreendi um pouco sobre cada cultura local. Palavras diferentes, ritmos distintos.

Viajei com a minha mãe, ela diurna, eu noturna. Dá para imaginar a negociação que temos que fazer quando os tempos são diferentes, não é? Mas o mais importante é o equilíbrio entre nos respeitarmos e também acatarmos o que vem do outro. Nada fácil, mas é possível. Um exercício e tanto para a convivência. Passamos por hostels, Airbnb, dormimos em trens, em casa de amigos de amigo. Uma coisa tínhamos em comum: queríamos vivenciar diferentes formas de viajar e conhecer tudo o que fosse local: comidas, passeios não tão turísticos, o dia a dia de quem vive nas regiões que visitamos. E assim foi. Apesar de juntas, cada uma trilhou essa viagem do seu jeito, sentiu à sua maneira cada experiência.

Muito diferente de quando viajamos com excursão, em que o pacote de viagem determina o que você vai ou não fazer. Você não precisa pensar, logo chega no ponto turístico, tira foto, entra no ônibus. E assim se repete durante praticamente toda viagem. Ao contrário, quando tudo depende de você e você tem que de fato escolher o que quer, te exige planejar, perguntar, procurar. Ficamos mais ativos e menos passivos durante os percursos.

O desafio para mim é sempre a volta: o que fazer com tantos novos pensamentos e sentimentos? Como me manter encantada com o dia a dia? Como continuar trilhando os caminhos que eu realmente quero, sem me deixar levar por uma rotina pré determinada? Sigo atenta e vigilante nesse meu retorno. Que eu possa continuar presente e me desafiando nas minhas pequenas jornadas diárias. Sem precisar viajar longe para isso.

E para você, como é a sensação de sair do seu contexto e depois retornar? Quais são os seus desafios nesse processo?

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Coach & Empreendedora. Apaixonada por desenvolvimento humano, pessoas e suas complexidades. Curiosa por ideias criativas e negócios com alma.

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