"Sem chefe"

Dizem que o que mais nos aprisiona não é a falta, mas ter liberdade. Como lidar quando você pode fazer e ser o que quiser? É encantador construirmos a partir do nada, do vazio, mas quais sentimentos afloram nesse espaço?

Já trabalhei em empresa com horário fixo, em organização social com horário flexível e já empreendi um negócio podendo escolher o meu próprio horário de trabalho. Porém, nada se compara ao que sinto como autônoma. Mesmo com o negócio, tinha horário de abertura e fechamento e eu tinha uma equipe que trabalhava lá. Hoje sou eu comigo mesma: sem chefe, sem subordinados e sem rotina.

A expressão “no boss” como algo ideal não é tão perfeito assim e nem é para todos. Assim como um trabalho com regras e hierarquias também não o é. Quando você não tem chefe, você passa a ser o seu próprio chefe e como enfrentar aquele que mais te cobra e mais te alfineta? “Você não vai conseguir”, “desista, está muito difícil”.

Tenho experienciado um desafio intenso nesse caminho que escolhi, lidando com a minha própria sombra todos os dias. Meus sabotadores, essas vozinhas irritantes e que nos tiram do rumo, estão falando mais alto do que nunca. Que trabalho de autoconhecimento incrível! Ufa!

Quando entro em um círculo vicioso de auto cobrança, respiro, retorno para o meu centro e recomeço. De novo, de novo e de novo. Nessa escolha que fiz só posso contar comigo para conseguir projetos e criar oportunidades. O tempo todo.

Não ter chefe é mergulhar em si mesmo e ter a coragem para isso. Não é fácil e muitas vezes dói. Mesmo. É um cair e levantar. Não tem conversa motivacional, não tem benefício extra e não tem aquela viagem de confraternização para dar um “up” no trabalho.

Mas tem um crescimento pessoal exponencial, passamos a nos conhecer do avesso e tiramos força de onde parecia não existir mais. Conseguimos nos conectar de verdade para escolher o caminho, seguir o que é nosso. É assim. Uma aventura interna criativa e deliciosamente insegura.

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