confie — sua mensagem foi recebida


Quando a gente quebra a cara a primeira autoajuda que nos indicam é: pratique o desapego. E isso se repete em todas as quebradas de cara porque por alguma razão (ego) a gente nunca aprende.

Numa época em que nossa vida é gerida por máquinas, com troca de mensagens instantâneas, ainda é muito confortável pensar na mesma desculpa de quando os Correios geriam nossa comunicação e nossas demonstrações de afeto.

Pensar que o que escrevemos se perdeu no meio do código binário, em qualquer um dos milhares de servidores espalhados pelo mundo, não foi entregue por um problema de rede ou foi parar no spam por erro de configuração é muito reconfortante pro nosso ego. Tal e qual pensar que o Correio perdeu aquela carta.

Os serviços de comunicação digital são cada vez mais confiáveis. As relações humanas é que são frágeis desde sempre. Mudou a velocidade que nos comunicamos. Não mudou a velocidade com que nos damos conta do quão importante é recebermos uma resposta alheia e o quão difícil é respeitar os limites de isolamento do outro.

Não interessa se o celular estava sem rede na hora da mensagem enviada — quando ele voltar pra cidade ou sair do túnel do metrô a mensagem vai chegar. O e-mail foi parar no spam? Engraçado pensar que antes eles iam direto pra caixa de entrada, não é mesmo?

É meio cruel com a gente mesmo continuar se apegando a ilusão da ‘mensagem que não foi lida’. A mensagem sempre chega, o e-mail também. Se não foi respondido é porque 1- a pessoa não leu ou 2- ela não quis responder mesmo. E, nos dois casos, tudo isso significa que: fulano não quer se comunicar com você. E sejamos realistas: ninguém é obrigado a corresponder a alguma coisa, a sempre discutir uma relação.

Tem uma outra autoajuda que diz que se você for importante, fulano vai te procurar. No fundo, acho que não temos medo da hora que a mensagem foi lida, mas sim da hora que percebemos não ser tão importante assim pro outro.