Writer in the dark

Nós tentamos de todas as formas disfarçar que não dói se apartar de alguém, às vezes até de forma instantânea; como se ela nunca tivesse pisado no nosso chão e tivesse destrinchado todas as nossas fronteiras, como se ela nunca tivesse nos visto sangrar, de forma descompassada, onde até o mundo imita o nosso choro e os casais terminam seus relacionamentos em algum semáforo vermelho da cidade.

Depois disso, a gente tenta a todo custo desviar do caminho que ainda nos faz lembrar daquela pessoa, como se dessa forma pudessemos desviar da dor. A gente evita os lugares, músicas, pessoas e as conversas que de alguma forma nos faz lembrar que ali existia amor.

Eu consegui te evitar nas fotos, nas músicas, até nas redes sociais, mas fracassei na escrita. Porque mesmo depois do fim escrito por você, eu ainda continuo com o ponto e vírgula (;), para lembrar do melhor que havia em nós, tento pensar também que eu e você nos encontramos naquele espaço-tempo porque necessitavamos aprender um pouco, ou talvez porque cada um precisasse ensinar alguma coisa um ao outro.

Continuo aqui, do outro lado, escrevendo para alguém que não consegue mais me ver; para alguém que não me ler, e que espera pelo dia em que o amor vai se tocar que já fomos embora e ir também;

Bet you rue the day you kissed a writer in the dark.
Now she’s gonna play and sing and lock you in her heart. — Lorde.