Sobre a Crucificação na Parada Gay 2015

No último domingo (08/06) aconteceu a Parada Gay em São Paulo e a imagem de uma ativista LGBT sendo crucificada gerou polêmica, dado isso, seguem algumas considerações:

1. A Crucificação era meio de execução tortuoso, comumente usado pelos Romanos para punir criminosos que “ameaçavam” o Império, acredita-se que a prática tenho sido criada na Pérsia, ou seja, A Crucificação e sua representação NÃO é propriedade cristã, mesmo que seu maior ídolo tenha sido executado dessa maneira. Milhares morreram dessa forma terrível, em eventos muito mais brutais (vide Terceira Guerra Servil);

2. Dizem que a imagem ofende a Religião cristã, mas uma religião é uma ideologia, um dogma, uma ideia difundida e aceita entre seus adeptos, uma ideologia repousa no imaginário, não come, não pensa e não vive e não existe se não existirem aqueles que a praticam. Ou seja, uma ideologia não pode ser agredida ou ofendida, quem é ofendido é a pessoa natural que segue a ideia, em outras palavras VOCÊ;

3. A imagem nos trás a ativista crucificada, com uma placa com os dizeres: “Basta de Homofobia com LGBT” O termo Homofobia foi infeliz, (Uma vez que a Homofobia por si só não engloba especificamente o preconceito sofrido por Lésbicas, Bissexuais e Transexuais) mas a mensagem subsiste: É um pedido de socorro. Jesus Cristo era um transgressor, desafiou um dos maiores Impérios do mundo e morreu por isso, andava com puta, gente da periferia e fazia caridade, nos dias de hoje seria considerado um “esquerdopata” e liberal por aqueles que se sentiram ofendidos com a representação, mas será que Jesus se ofendeu? Duvido, segundo as histórias, o Messias perdoou seus algozes e durante sua vida pregou o amor acima de todas as coisas. A ativista crucificada representa uma minoria que é oprimida dia após dia por fundamentalistas, enquanto escrevo este texto, muito provavelmente um LGBT está sendo vítima de preconceito ou até mesmo assassinato, apenas por sua orientação sexual/Identidade de gênero, então a cruz faz uma alusão ao sofrimento imposto a nós, a cruz comporta todo tipo de dor e sofrimento, não somente o cristão. Não é ofensivo representar a dor de um grupo (LGBT) pela cruz, ofensivo é ir à contramão de princípios básicos de convivência social, como aceitar as diferenças. Negar isso é dizer que a máxima cristã que é repetida incansavelmente está errada: “Jesus morreu na cruz por todos nós”, ou teria ele morrido apenas pelos Heterossexuais e Cisgêneros?