Empresas a serviço da guerra cultural: até a microempresa deve se engajar

Marlon Derosa
Sep 4, 2018 · 5 min read

Texto publicado originalmente no site estudosnacionais.com

Nem só do terceiro setor em parceria com grandes veículos de comunicação e fundações internacionais vive a guerra cultural. Embora na maioria das vezes, vemos ONGs, universidades e veículos de comunicação na luta pela revolução de valores e desconstrução da sociedade ocidental, outros agentes não podem ser negligenciados, pois seu poder e ousadia tem se tornado cada vez maior: as empresas a serviço da guerra cultural.

As empresas privadas por meio de políticas internas, posicionamento no mercado, campanhas publicitárias e no financiando ao terceiro setor tornaram-se uma parte crucial na engrenagem.

As políticas internas e as estratégias mercadológicas mostram-se extremamente eficientes para isso. Como destaquei na 3ª edição da Revista Estudos Nacionais, os pais de família trabalhadores, que por vezes foram oposição notória à ideologia de gênero ou ao aborto, quando estão sem seus trabalhos, nas empresas, na qualidade de “colaboradores”, vigiados e avaliados por diretores e painéis de indicadores desempenho, tornam-se inofensivos. Suas liberdades e consistências são compradas, na barganha quase sempre presente no dia a dia das empresas: ou você concorda com a empresa ou se demite.

Valendo-se dessa barganha, as fundações e organizações interessadas em moldar o comportamento da sociedade passam a inserir, paulatinamente, com a inserção de narrativas e agendas corporativas.

Certamente algo que sintetiza isso é a “Nova Geração dos Indicadores Ethos“, do Instituto Ethos e a campanha “Ela Decide”, em parceria com a ONU.

Campanha Ela Decide

A campanha “Ela decide”, recentemente lançada, é claramente um projeto vinculado a pauta feminista e de luta pela legalização do aborto e teorias de gênero. Trata-se de um projeto que tem entre as parcerias chave o Instituto Ethos, a ONU e o UFNPA (Fundo de Populações da ONU).

No site oficial da campanha, embora as palavras “legalização do aborto” sejam evitadas, a campanha é claramente um reforço nas narrativas inerentes aos diversos grupos que lutam pela legalização do aborto e a implantação da ideologia de gênero no Brasil, conforme destacamos no artigo Campanha Ela Decide: aborto, gênero e eufemismos

O conceito de sustentabilidade e o engajamento na militância progressista

Com um conjunto de frases de efeito, slogans do politicamente correto e a expansão de conceitos da sustentabilidade para diversas esferas da vida na sociedade, o discurso que antes parecida inofensivo começa a se chocar com concepções e visões de mundo. Se o funcionário não faz parte da ala progressista, terá problemas.

Em uma tabela, a cartilha Indicadores Ethos-Sebrae-Diagnósticos de RSE/Sustentabilidade para Pequenos Negócios traz um pouco de ativismo e um vocabulário próprio da ala progressista. Ao serem inseridos como boas práticas de gestão, passarão a fazer parte do vocabulário de todos os colaboradores que desejam ser vistos como profissionais atualizados.

Fonte: Ethos. Indicadores Eethos-Sebrae-Diagnósticos de RSE/Sustentabilidade para Pequenos Negócios, página 11.

Verdades como condenar a corrupção, a violência e as ditaduras mesclam-se com pautas como o cicloativismo e um discurso anti-poluição extremista, anti-combusíveis fósseis, assim como na luta trabalhista nos moldes e concepções da esquerda. Uma narrativa que pode parecer inofensiva, se não fosse um meio de levar tudo para o território progressista e globalista, fortalecendo toda uma agenda.

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Uma das principais finalidades quando se trata do discurso da sustentabilidade é fazer de meros profissionais futuros ativistas de uma causas, uma agenda específicas: “o mundo perfeito”. Por isso há anos fala-se tanto em responsabilidade social nas empresas. Isso fica evidente quando vemos cartilhas de sustentabilidade para micro e pequenas empresas. Afinal, por que tanta preocupação com micro e pequenas empresas que quase nada podem efetivamente fazer e pouco podem “reduzir seu impacto ambiental”. Veja bem, pelo critério da receita bruta, é microempresa aquele empreendimento que tem faturamento anual inferior a R$ 360 mil. Ou seja, 30 mil ao mês. A maioria luta para sobreviver fazendo o básico, com todos os sócios e funcionários tendo acúmulo de funções. A cartilha do Instituto Ethos sugere que esse porte de empresa, que provavelmente tem entre 1 a 5 funcionários, faça a gestão e monitoramento dos resíduos sólidos e monitore quantos metros cúbicos de água têm gasto por mês, para ir reduzindo gradativamente seu impacto ambiental. Algo completamente fora da realidade das microempresas. As micro e pequenas empresas fariam mais bem para “o planeta” não quebrando, garantindo emprego e crescendo.

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Mas o discurso pró responsabilidade social e ambiental para micro e pequenas empresas não é fora da realidade por acaso. Tudo não passa de uma narrativa. Estão muito mais preocupados em engajar cidadãos a se tornarem agentes de transformação social e cultural do que de fato em economizar água ou reciclar algumas embalagens.

Implementação das narrativas, crescimento no engajamento e o discurso como um fim em si mesmo

Mais adiante na cartilha compreendemos a finalidade da narrativa. O discurso em si mesmo. Segundo a cartilha do Instituto Ethos as micro e pequenas empresas, alinhadas aos objetivos das Nações Unidas, devem buscar:

a “valorização da diversidade”, destacando que hoje “as empresas vêm ampliando sua definição de diversidade, passando a considerar questões como condição socioeconômica dos empregados, estilos de trabalho, opinião, idade, nacionalidade, estado civil, orientação sexual, identidade de gênero, deficiência física ou mental e condições de saúde, entre outras diferenças” (grifo nosso).

Campanha +Mulher360 e a promoção de equidade de gênero

Se a cartilha de sustentabilidade para micro e pequenas empresas já traz as narrativas e finalidades como analisamos acima, a cartilha de promoção de equidade de gênero mostra-se ainda mais eficaz na promoção da pauta da ideologia de gênero nas empresas. A cartilha com dezenas de páginas traz as mais modernas práticas de gestão estratégica, voltada aí para todos os portes empresariais, em um manual completo de como implementar a ideologia de gênero, cotas raciais, feminismo e tantos anseios progressistas em dinâmicas, treinamentos e no dia a dia empresarial. Tudo monitorado em um painel de indicadores de desempenho (Balanced Scorecard) da revolução cultural em curso.

A agenda da subversão e da guerra cultural nas empresas está bastante avançada. Sua complexidade e riqueza de detalhes é gigantesca e o tema pode render diversos artigos.

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