ConheCER — Um pouco mais sobre Educação Empreendedora

Esta semana participamos do ConheCER — Seminário Internacional de Educação Empreendedora, organizado pelo Sebrae. O evento, que aconteceu no auditório da sede do Sebrae Minas, tinha por objetivo fazer o lançamento do Centro Sebrae de Referência em Educação Empreendedora — CER.

O CER é um programa do Sebrae Nacional, mas que será conduzido pelo Sebrae Minas. Além dos conteúdos atuais e os eventos, o Sebrae lançou um portal (http://cer.sebrae.com.br) que tem o objetivo de reunir pesquisas, ferramentas e conteúdos diversos ligados a Educação Empreendedora. Fazendo um pouco de jabá, este portal foi construído pela minha antiga empresa (ZUBB) e participei diretamente da idealização, planejamento e gestão do projeto. Espero que gostem!

Voltando a falar do evento, a programação contou com nomes bem interessantes no cenário nacional e também internacional. Relato abaixo o que aconteceu na parte da manhã do evento. A segunda parte em um outro momento.

Abertura

A programação do dia começou com o Dr. Afonso Rocha, superintendente do Sebrae Minas e com a Heloísa Menezes, diretora técnica do Sebrae Nacional. Os dois falaram da importância do desenvolvimento de competências e atitude empreendedora na educação básica.

Heloísa, iniciou abordando sobre o atual cenário do país, que para ela é um ótimo momento para oportunidades empreendedoras, mesmo que seja por necessidade, pois muitas vezes é na adversidade que as pessoas experimentam a possibilidade do autoemprego, pois em um mundo que tem cada vez menos emprego, precisamos formar os alunos para empreender para o trabalho, pois este sim nunca faltará.

Agilidade para acompanhar os movimentos dos mercados e flexibilidade de adaptação são ingredientes essenciais em um mundo em que a tecnologia influencia cada vez mais, até mesmo os métodos de ensino. Além disso, o bom educador é aquele que “planta” autonomia em seu aluno, pois desta forma contribui e transforma a realidade a sua volta.

Painel: Uma jornada pela Educação Empreendedora

O primeiro painel do evento foi conduzido por Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, Juliano Seabra da Endeavor e mediado por Vinicius Lages, Diretor Financeiro do Sebrae Nacional.

Carlos Arruda — Fundação Dom Cabral

Carlos Arruda, abriu sua palestra apresentando dados da pesquisa realizada pela FDC em parceria com o Sebrae — Referenciais Teóricos da Educação Empreendedora e do Empreendedorismo.

De acordo com Arruda, dois fatores são extremamente importantes para o florescimento de empreendedores: o ecossistema, que compreende todo o ambiente, o contexto, apoio governamental, instituições de formação e pesquisa, investidores; e a atitude empreendedora que pode ser despertada em cada indivíduo.

A atitude empreendedora é definida por um conjunto de 6 atitudes, são elas:

  1. Risk-taking (tomada de decisão sob incerteza);
  2. Autoconfiança (a habilidade em acreditar que podem fazer melhor do que os fatos garantidos);
  3. Atividade instrumental energética e/ou original (fazem coisas novas, de uma forma melhor);
  4. Responsabilidade individual (empreendedores são, em última análise, responsáveis por tomar decisões);
  5. Conhecimento dos resultados das ações (conhecimento concreto e definitivo sobre a qualidade do próprio trabalho);
  6. Planejamento de longo alcance e habilidades organizacionais (antecipação de possibilidades futuras).

Para Carlos, o ser humano tem capacidade ilimitada para análise e tomada de decisão, mas o empreendedor de verdade não é aquele que pensa e sim aquele que pratica. O planejamento vem depois do effectuation, pois empreender é correr risco.

Empreendedor = Fazedor

Precisamos preparar os alunos para o acerto, mas também para o erro. O empreendedor ou investidor que acredita em sua ideia não deve pensar em o quanto ele poderá ganhar e sim o quanto ele está disposto a perder para ver sua ideia ser executada.

Antes de entrar no mercado precisamos “desescolarizar” os alunos, com o objetivo de mudar o mindset do dualismo entre certo e errado, que foi forjado durante toda a vida escolar e transformar tudo em desafios e oportunidades e que o erro tem que fazer parte da aprendizagem.

Arruda finaliza com a frase que define bem sua mensagem: “A base da educação empreendedora é a praticagem” e que por isso o Movimento Maker tem ganhado tanto espaço dentro das escolas.

Juliano Seabra — Endeavor

O representante da Endeavor, Juliano Seabra, continuou abordando a importância do empreendedorismo, porém sob o ponto de vista das universidades em relação ao tema.

Assim como Carlos Arruda, Juliano conduziu sua apresentação se apoiando na pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras — 2016, que mapeou a abordagem do tema no Ensino Superior.

“Empreendedorismo é um esporte de contato”, diz Juliano reforçando o discurso da importância de correr riscos e aprender com a prática.

O Brasil vive um momento diferente e interessante, pois a batalha de colocar o empreendedorismo no mapa, de certa forma, está vencida, mas agora temos muitos outros desafios para que possamos sentir realmente o impacto na sociedade.

O foco da apresentação foi entender o ambiente acadêmico, reforçou exemplificando um case do MIT (Massachussets Institute Technology), que tem um trabalho bem próximo dos ex-alunos. No último mapeamento feito pelo MIT, foram identificadas 30.000 empresas de ex-alunos, somam 4.6 milhões de empregados e US$ 1,9 trilhão de receitas anuais, valor superior ao PIB brasileiro no ano de 2015.

Um dos primeiros pontos observados pela pesquisa é que os alunos não estão satisfeitos com o que está sendo apresentado pelas universidades. Do outro lado, os docentes, já acreditam que estão entregando e fazendo um bom trabalho. Esta distorção é confirmada em diversos pontos da pesquisa, e mostra que as universidades não contam com uma estrutura completa para ajudar na jornada do empreendedor.

As universidades têm um trabalho grande no que diz respeito a inspiração, mas conteúdo prático e de preparação para o mercado ainda tem muito a ser realizado. De acordo com a pesquisa, a grande maioria dos professores e promotores do empreendedorismo, nunca tiveram uma experiência empreendedora real.

Apesar de o mercado de empreendedorismo ter avançado, há muito a ser feito na formação dos empreendedores e lideranças em nosso país e para melhorar a preparação dos alunos nas instituições. Juliano finalizou fazendo 3 recomendações:

  1. Crie uma estratégia clara de uma Jornada Empreendedora;
  2. Deixe o ambiente mais acessível para criar oportunidades;
  3. Esteja conectado com mercado.

Obrigado e em breve vem a segunda parte.

Marlos Carmo

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