Mãe assim assado
Mas o que poderíamos mesmo ser, na prática, é mães que se apoiam, não é mesmo?

Desde que me tornei mãe (incluindo a fase da gravidez), sempre tomei muito cuidado para não demonstrar que minhas escolhas (melhor dizer, possibilidades) fossem melhores do que as de outras mães ao meu redor — inclusive em opiniões e compartilhamentos no maravilhoso mundo da internet.
Eu queria parto normal — fui até as 41 semanas e não consegui.
Eu queria amamentar — consegui só até o terceiro mês.
Eu não queria que a minha filha usasse chupeta — ela usa.
E está tudo bem. Hoje convivo muito bem com o que se deu.
E, sim, eu sei que falar sobre as variadas escolhas e opções que uma mãe possa ter com relação à maternidade é superimportante. Eu mesma as busquei (e ainda as busco) para trilhar e/ ou desenvolver o que me foi e é possível — li e me preparei para o parto normal, mas, também, me preparei e procurei saber a respeito da cesariana entre outras coisas que foram acontecendo.
Além do mais, fiz cursos, frequentei rodas de tentantes, gestantes e mães em geral. A gente — principalmente mães de primeira viagem — devora tudo o que é possível desse universo. Queremos saber, aprender, ser boas nisso de verdade.
MAS.
Sim, sempre o MAS.
Ser mãe fez com que eu me deparasse, vez outra, e infelizmente ainda me deparo — acredito que não tem fim –, com mães sendo bem incisivas (para não dizer “cagadoras de regras”):
- EU MÃE ASSIM. EU MÃE ASSADO.
- MEU FILHO NÃO CHUPA CHUPETA.
- CESARIANA É UMA VIOLÊNCIA — COITADA.
- QUE DÓ, NÃO AMAMENTOU, SUA FILHA FICA MUITO DOENTE POR CAUSA DISSO?
- LI QUE QUEM MAMA NO PEITO É MAIS INTELIGENTE.
- DORME COM VOCÊ AINDA?
- ESSA MENINA CAI MUITO.
- TADINHA, ELA QUER CHOCOLATE.
Nossa. Poderia passar o dia aqui escrevendo sobre as coisas que ouvi e li por aí. E, não, gente, as afirmações acima não são bem assim. Com certeza alguém já passou por uma cesariana ruim, infelizmente. Amamentar É importante demais SIM entre outras coisas — mas eu consegui superar as adversidades até aqui e acredito que faço o melhor como mãe. A Lis, minha filha, é uma criança incrível.
É sério, para quem me conhece, se algum dia, em algum momento, eu ‘taquei’ alguma regra desnecessária para você: Desculpe-me.
Eu sei que julgar e criticar a escolha alheia é muito fácil — é, gente, é mesmo muito fácil (repetindo e afirmando para mim mesma, também). Por isso, meninas, antes de fazer algum comentário que diminua outra mãe, antes de compartilhar qualquer coisa e/ ou texto que possa a deixar triste e se sentindo inferior a você, pense direitinho, leia, releia, se coloque no lugar da mãe que não consegue/ conseguiu fazer as mesmas coisas que você.
Vamos nos ajudar com informações e um pote até aqui de generosidade e empatia. Nós podemos contar como foi nossa experiência, o que deu certo, o que deu errado? Claro que sim, poxa. Podemos falar tudo, mas sem ironia, cutucões e soberba.
Respeito entre as relações nunca é demais.
Ainda mais entre mães.
Ainda mais entre mulheres.
