Mãe assim assado

Marcela Oliveira
Nov 7 · 3 min read

Mas o que poderíamos mesmo ser, na prática, é mães que se apoiam, não é mesmo?

Desde que me tornei mãe (incluindo a fase da gravidez), sempre tomei muito cuidado para não demonstrar que minhas escolhas (melhor dizer, possibilidades) fossem melhores do que as de outras mães ao meu redor — inclusive em opiniões e compartilhamentos no maravilhoso mundo da internet.

Eu queria parto normal — fui até as 41 semanas e não consegui.

Eu queria amamentar — consegui só até o terceiro mês.

Eu não queria que a minha filha usasse chupeta — ela usa.

E está tudo bem. Hoje convivo muito bem com o que se deu.

E, sim, eu sei que falar sobre as variadas escolhas e opções que uma mãe possa ter com relação à maternidade é superimportante. Eu mesma as busquei (e ainda as busco) para trilhar e/ ou desenvolver o que me foi e é possível — li e me preparei para o parto normal, mas, também, me preparei e procurei saber a respeito da cesariana entre outras coisas que foram acontecendo.

Além do mais, fiz cursos, frequentei rodas de tentantes, gestantes e mães em geral. A gente — principalmente mães de primeira viagem — devora tudo o que é possível desse universo. Queremos saber, aprender, ser boas nisso de verdade.

MAS.

Sim, sempre o MAS.

Ser mãe fez com que eu me deparasse, vez outra, e infelizmente ainda me deparo — acredito que não tem fim –, com mães sendo bem incisivas (para não dizer “cagadoras de regras”):

- EU MÃE ASSIM. EU MÃE ASSADO.

- MEU FILHO NÃO CHUPA CHUPETA.

- CESARIANA É UMA VIOLÊNCIA — COITADA.

- QUE DÓ, NÃO AMAMENTOU, SUA FILHA FICA MUITO DOENTE POR CAUSA DISSO?

- LI QUE QUEM MAMA NO PEITO É MAIS INTELIGENTE.

- DORME COM VOCÊ AINDA?

- ESSA MENINA CAI MUITO.

- TADINHA, ELA QUER CHOCOLATE.

Nossa. Poderia passar o dia aqui escrevendo sobre as coisas que ouvi e li por aí. E, não, gente, as afirmações acima não são bem assim. Com certeza alguém já passou por uma cesariana ruim, infelizmente. Amamentar É importante demais SIM entre outras coisas — mas eu consegui superar as adversidades até aqui e acredito que faço o melhor como mãe. A Lis, minha filha, é uma criança incrível.

É sério, para quem me conhece, se algum dia, em algum momento, eu ‘taquei’ alguma regra desnecessária para você: Desculpe-me.

Eu sei que julgar e criticar a escolha alheia é muito fácil — é, gente, é mesmo muito fácil (repetindo e afirmando para mim mesma, também). Por isso, meninas, antes de fazer algum comentário que diminua outra mãe, antes de compartilhar qualquer coisa e/ ou texto que possa a deixar triste e se sentindo inferior a você, pense direitinho, leia, releia, se coloque no lugar da mãe que não consegue/ conseguiu fazer as mesmas coisas que você.

Vamos nos ajudar com informações e um pote até aqui de generosidade e empatia. Nós podemos contar como foi nossa experiência, o que deu certo, o que deu errado? Claro que sim, poxa. Podemos falar tudo, mas sem ironia, cutucões e soberba.

Respeito entre as relações nunca é demais.

Ainda mais entre mães.

Ainda mais entre mulheres.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade