Os Orixás: uma cosmovisão sobre nossa energia natural ancestral

Começar o ano falando sobre os orixás é muito bom! Não tem nada mais energeticamente vivo em nosso dia a dia do que a presença dos orixás. Os orixás não estão no Ilê que frequentamos, em determinados pontos da natureza ou em momentos especiais, mas sim permeiam toda a nossa existência e estão conosco o tempo todo. Não são espíritos de gente que já morreu, mas sim centelhas de energia cósmica. São a consciência inconsciente de nossa existência ancestral e nosso legado.

Nosso orixá guardião está conosco e não há necessidade de que haja uma imagem ou um assentamento físico para canalizar a energia de sua presença. Os orixás são parte das energias primordiais que preenchem nosso intelecto, nosso inconsciente, nosso corpo, nosso DNA físico e espiritual. A conexão das energias do mundo e as energias produzidas para e por esta conexão é que governa nossa relação com nossa origem sagrada astral espiritual.

A visão sobre os Orixás não precisa ser cristianizada ou ocidentalizada. Não há medo, bom, ruim, certo ou errado mas deve haver muito respeito, muita cautela, muita devoção e muito cuidado e muito amor. A visão sobre os orixás pode ser mesmo humanizada e diversificadas em polaridades e fases. Sendo assim, o equilíbrio de nossa existência junto aos deuses é que deve ser o foco. As pessoas se comparam aos Orixás o tempo e isso é uma analogia muito simplificada à esta herança que pode estar arraigada em nosso corpo e mente, às vezes, até em nossa história de vida. A ideia é sempre buscarmos o equilíbrio, o que não remete a uma perfeição santificada mas sim a organização de poder, de energias, de sentimentos e de pertencimento. Nos pede de maneira muito inteligente a potencialização do que é positivo, produtivo e uma consequente redução do que não ajuda e pode se transformar em problemas sociais, de relacionamento ou existenciais.

As diversas formas de entender e sentir os orixás é algo intimamente ligado à pluralidade ancestral, por isso tantos itans para os mesmos Orixás. Cada fase é uma fase, cada situação é uma situação, cada pessoa é uma pessoa diferente das demais em seu universo particular ligado sim à diversos outros universos tão particulares quanto. Cada situação é a tradução da atuação dos Orixás em nossas vidas, cada qual com uma dinâmica, com uma proposição. Cada pessoa vai ver, sentir e entender os orixás de um jeito, em momentos diferentes, por caminhos e situações que não precisam necessariamente estar conectadas à história e à experiência de mais ninguém. A magia dos Orixás também diz respeito à individualidade, que é um direito social de todas as pessoas. Os Orixás nos asseguram o direito de compreender a nossa natureza, são fonte de auto conhecimento e por consequente de desenvolvimento intelectual.

Abrace sua natureza, abrace seu Orixá (e não somente o seu) consciente de que é a diversidade dos deuses do panteão africano é que assegura que possamos ser pessoas tão diferentes umas das outras e existir sem qualquer problema, sendo o que realmente somos. Lembre-se que a beleza de cada Orixá vai se relacionar a forma como cada descendente de Orixá se conecta com sua história.

Respeito e observação são palavras chaves na cultura dos Orixás.

Aláfia

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