Bem no início de meus atendimentos há muitos anos atrás, um dia chega uma moça de 29 anos,com obesidade mórbida, e que apresentava principalmente como queixa, outra doença, a epilepsia. Apesar de jovem não tinha relacionamentos amorosos, não namorava.

Tinhas crises constantes, freqüentes, e seguia regularmente suas recomendações médicas, mas quase que mensalmente as fortes crises chegavam. Estivesse ela onde estivesse, e no seu trabalho isso ia muito além do constrangedor. Sua sobrevivência se comprometia pelas repetidas demissões empresariais. O desgaste do processo ia muito além de tudo isso.

Após algumas semanas de tratamento, chegamos a uma específica sessão. E esse dia foi muito especial. Conseguimos chegar a origem daquela carga emocional diretamente relacionada ao desequilíbrio instalado, que em seu devido tempo, não conseguiu a drenagem e a desintegração necessárias, e isso é por vezes muito natural e mais freqüente do que supomos. Nem sempre é possível essa desintegração no momento ideal, e o que seria adequado, para não se trouxesse, a nível inconsciente, ainda nos dias atuais. Isso ocorre devido à exposição à situações de fortes conteúdos traumáticos realmente vivenciados e experienciados em determinada época. Então a carga fica acumulada e registrada como não drenada no inconsciente. Podemos chamá-las, como eu denominei “cargas emocionais não devidamente drenadas”, independente do tempo. Lembrando que você pode relacioná-las ao inconsciente, ou às Vidas Passadas, como queira. Essa referência deixo aberta respeitando as crenças e o livre arbítrio de todos e de cada um. O importante é a possibilidade da desintegração dessas cargas emocionais, não integralmente drenadas, e que interferem diretamente na vida de todos. Nesse caso, não tendo sido realizado a desintegração da carga gerada, ao longo de algum tempo, apresentou-se a somatização dessas emoções, originado aí a Epilepsia.

Como pude afirmar ser aí a origem específica dessa patologia? Não acham muito simples? Entendo que essa pergunta é muito mais que interessante porque pode nos mostrar como é fácil e tentador o caminho de respostas fáceis e cartesianas. Queremos respostas fáceis e simples. Mas no campo humano, consideramos o Ser Integral e Multidimensional e nesse caso, especificamente, houve realmente uma linha direta entre a patologia e sua origem, mas nem sempre é assim e não há respostas tão claras e objetivas . Aliás esse caso, por alguma ajuda amorosa em meu processo de aprendizado, e no contexto geral , chegou de forma didática e muito simplificada, mas os caminhos são complexos e muitas vezes os conteúdos levantados nas sessões de regressão são materiais que pedem muito estudo e aprofundamento. E é muito divertido estudar as muitas janelas que se abrem com clareza e riqueza de conteúdos que, derrubam muitas vezes, barreiras de crenças confortavelmente sedimentadas e nem sempre claramente percebidas.

Simples: a Eplepsia desapareceu integralmente. Nunca mais teve crises epiléticas. Após o nosso tratamento as crises sumiram imediatamente após. Houve a cura integral . Chegamos à origem do desequilíbrio que se apresentava no físico como doença, no caso, a epilepsia. Sim, estava aí a resposta de que tínhamos atingido nosso objetivo de chegar à origem, trazendo ao consciente a carga inconsciente geradora dessa patologia evidenciada.

Ela relatava que sabia quando a crise se aproximava, porque nos instantes que antecediam às crises, vinha “um filminho” em sua mente. Rápido, onde não se identificavam as cenas, mas a sensação era clara. A sensação remetia à um filminho e a crise chegava logo após.

Naquele dia, dentro de um ambiente amorosamente e cuidadosamente preparado ela trazia o trauma à consciência, revivendo-o, relembrando-o claramente.

Numa sessão muito especial , emocionante , uma cura profunda se realizava diante dos meus olhos.

Com lágrimas que corriam docemente pelos seus olhos, o silêncio se quebrou quando disse:

-“Sou uma menina de três anos. Tenho um irmão de nove anos com problemas mentais. Nossos pais trabalham e ficamos sozinhos. Temos mais irmãos e alguns familiares que cuidam de nós” Mas ao falar deixava claro que eram adultos ausentes. Estava sempre sozinha e desprotegida.

Com a voz bem baixinha ia relatando os movimentos do irmão ao molestá-la. E as lágrimas corriam tão suavemente e lentamente que parecia que o tempo parava.

Duas crianças. Uma com três anos sem a menor condição de entender o que era “aquilo” que a fazia se sentir tão mal e, vindo de um irmão?

Foi revivendo os fatos passados e ,dos três anos aos sete anos aproximadamente, ele a molestou com freqüência . Nenhum familiar se apresentou para evidenciar ou agir durante esses anos. Todos adultos e responsáveis ausentes, independente de suas presenças físicas, para ela, foram ausentes.

Por volta de nove anos de idade dela as crises de Epilepsia começaram. Vinha o “filminho”. A somatização de todo trauma repetidamente vivenciado, se apresentava, formalmente.

Não fomos às vidas passadas dela. Isso era a sua própria infância do momento atual que ela nem supunha. Estava em seu inconsciente. Ninguém sabia dessa história, nem ela!

Sim, para ela foi surpreendente . Não se lembrava muito de sua infância, apenas poucas imagens.

Ainda e além, explicou-se a origem da obesidade mórbida, ao querer formar uma “capa altamente protetora” que afastasse qualquer um, ou a menor tentativa de aproximação, de si mesma, escondendo-se de toda a dor, fugindo do agressor, protegendo-se.

Após algumas semanas nem o menor sinal das crises de Epilepsia. Estava curada dessa manifestação física do desequilíbrio, onde chegamos mais uma vez à sua origem desencadeadora do processo.

Ela mudou de cidade e depois, perdemos o contato. Não pude acompanhar mais seu processo e não sei como ficou depois que o tempo foi passando. A Epilepsia foi-se!

Acredito sim que tenhamos conseguido facilitar o seu caminhar na direção da cura também da obesidade mórbida o que não pude verificar.