Os Incríveis 2

A luta da super família contra o sistema

Eis que, 14 anos depois, lá estávamos sentados numa poltrona de cinema para assistir àquela mesma família salvar o dia.

Instáveis e briguentos; amáveis e compassivos. Parece "familiar"; poderia soar como qualquer família.

Prefiro começar com a mãe, por quê não, protagonista desse episódio tão esclarecedor. Devemos admitir, a Senhora Incrível é uma Super Mãe — preocupada, atenta, sempre buscando atender às necessidades de todos para manter o equilíbrio e a serenidade da família. Elástica. Uma Super Mãe precisa estar em todos os lugares ao mesmo tempo, como qualquer mulher do século XXI. Atarefada, na rua e em casa.

O Senhor Incrível, por sua vez, tem um papel igualmente importante. Algumas pessoas chegaram a pensar até que o papel dele seria mais importante, mas o segundo filme da saga faz questão de deixar bem claro que todos os papéis são igualmente importantes no combate às forças do mal. O Super Pai tem suas virtudes — a força descomunal e indestrutibilidade são imprescindíveis! Aguenta um trabalho que detesta para garantir o sustento da família e luta, literalmente, pelo seu sonho de ser, legalmente, um Super Herói. Isso porque a "profissão Super Herói" foi feita ilegal pelo governo americano. Espera, o que?

A história do filme gira em torno da legislação americana.

BOOM! Insight.

Lá estava eu, assistindo, aos 22 anos, a continuação da história que vi pela primeira vez aos 8. Agora, tudo fazia sentido.

Continuo pensando sobre os filhos. Violeta, a adolescente Millennial introvertida que se torna invisível. Ela consegue criar uma bolha de proteção contra os ataques que recebe, que pode envolver a si e quem mais quiser proteger. Flecha, o irmão mais novo hiperativo que corre superrápido. Tem alguma relação com o esporte que eu perdi ali, mas lembro dele não poder correr no colégio, e talvez tenha alguma frustração. Ele aparece ainda mais audacioso no segundo filme, questionando tudo, como um bom iGen.

Agora, sem dúvidas, quem realmente me surpreendeu foi o Zezé. A família esperava por um bebê normal. Ele começa a ter poderes. Vários poderes! O Zezé é uma criança índigo! Consegue se antecipar às necessidades e transforma-se praticamente naquilo que quiser. Ainda não fala, mas se comunica com maestria. As crianças índigo são iluminadas, geralmente almas que têm muito a ensinar. Apesar do pouco tamanho, têm alta capacidade de transformação e influenciam todos que os cercam.

O vilão Hipnotizador (no original, Screenslaver) hipnotiza a todos e faz escravos através das telas. Me parece bem clara essa referência, não preciso nem explicar.

Em suma, temos uma Super Família lutando contra o sistema. Uma saga genial, diga-se de passagem, ainda mais se levarmos em conta que, se passando 14 anos desde o primeiro filme, a nossa geração de agora adultos leva toda uma gama de filhos, irmãos, sobrinhos e primos mais novos ao cinema, o que significa manter mais algumas gerações de fãs.

A PIXAR, definitivamente, sabe o que faz.

P.S.: Edna Moda, eu te amo.