A máquina do mundo
Quase todo mundo leu "Os Lusíadas" ou foi obrigado a aprender do que se trata. Um ponto importante da história é a passagem chamada de "A máquina do mundo". Realizado o feito heroico dos portugueses, a ninfa Tétis, além de presentear Vasco da Gama e sua tripulação com o que anseavam, revela a ele os segredos do mundo e de seu funcionamento nesta passagem.
A tal engrenagem universal parece uma coisa mítica e além da compreensão para nós, humanos. A verdade é que, seja através de grupos de conspiração ou dos altos e baixos do cotidiano, o nosso dia de conhecer a tal máquina sempre chega. E a pior surpresa pode ser que o maquinário nunca esteve escondido dos seus olhos.
O mundo é o que é, se lhe parece. Analogia à parte, depois de um certo tempo na experiência de escalar uma perspectiva mais alta em busca de entendimento e de galgar o seu lugar, é possível enxergar que tudo aquilo acontece porque nós fizemos. As ferramentas estão disponíveis, usá-las das mais diversas formas e para os mais diversos propósitos não está nas mãos do acaso. Involuntariamente nós também fazemos o acaso.
Não quero dizer que o que há de ruim e injusto é culpa das próprias vítimas, tampouco creio que meritocracia exista. Mas, me refiro a algo além disso, um emaranhado de atitudes e consequências que fazem tudo ser como conhecemos. Em tempos de fanatismo é pertinente falar sobre isso.
Quanto mais chegamos perto de perceber como essas coisas funcionam, mais notamos como outros se recusam a entender tudo que lhes exige dificuldade ou que não lhes beneficia.O mistério da vida e da falta dela é uma mistura inquietante de beleza e melancolia, como em alguns filmes do Lars von Trier. O único segredo imutável é que nunca é a última descoberta.
