2017 é o ano em que as pessoas estão acordando.

Diariamente vejo na minha timeline em média 3 textos que falam sobre frustração, imediatismo, cobrança.

Esse é mais um texto que aborda esses temas. Mas, não é um texto sobre como você se sente. É um texto sobre o que você vai fazer com como você se sente.

Sentimentos que eu, você, e até o papagaio da vizinha sentimos.

Mas, quando foi que começamos a derrubar aquele véu que costumava nos enganar?

2016 foi o ano dos fatos, das decisões, das mudanças inesperadas.

2017 é o ano em que acordamos.

Pode não parecer, mas o ano atual pode superar 2016 no quesito sofrimento.

Estamos acordando aos poucos. Estamos vendo as máquinas em que nos transformaram.

E dói.

Agora, você percebe que talvez trabalhe muito e receba menos (dinheiro e reconhecimento) do que merece.

Ir pra faculdade e tirar 10 não é mais sua prioridade. Você entendeu que muitas vezes o aprendizado encontra-se fora das salas de aula. E aí você se frustra por pagar tão caro por algo só porque precisa de um diploma pra provar seu conhecimento.

Você percebeu que você não se alimenta bem. Que você come o dia todo aquele lixo industrializado e ainda se perguntava qual a razão dessa dor de estômago que nunca passou.

Você entendeu que dói pegar metro lotado, esmagado, sofrido, porque você paga por aquilo. E você é tratado como um nada enlatado.

Você para no meio do dia, se estica na frente do computador ou senta na loja em que é vendedor e pensa: “eu só quero o fim do dia”.

Ou, “eu só quero o fim da semana”.

E quando você pensa nisso, você sente o desespero de não saber o que você está fazendo. O objetivo não era ser feliz?

Será que a gente precisa mesmo passar a vida toda se desgastando pra que num suposto futuro nós tenhamos conforto e paz?

E essas perguntas te perturbam.

As respostas do sistema não te bastam mais.

O salário do fim do mês não é mais tão animador.

O fim de semana já não dura tanto.

Devemos optar por uma cerveja na sexta pra tentar desligar, distrair, abstrair?

Mas se você escolhe isso, deixa de fazer algo que está devendo para alguém, ou devendo para si.

E aí você se cobra.

E aí você se frustra.

E aí você não só se sente assim, mas percebe que se sente assim.

E eu te digo que é porque é 2017, e a gente acordou.

O que vamos fazer com isso?