“Quarteirizamos”!

Trabalhar em uma empresa publica como celetista têm sido bastante enriquecedor e um momento de muito aprendizado, porém, um pouco doloroso também. Grandes e pequenas tarefas lhe são confiadas em uma semana comum. Dificilmente eu terceirizaria alguma delas a alguém, sobretudo as pequenas, contudo, ser você o terceirizado, aquele que vai executar uma tarefa, que não foi ordenada diretamente à você e, com frequência, por alguém que não é em muitos casos o seu chefe, isto sim é algo que têm me incomodado após 2 poucos anos de casa.

Como explicar justificadamente o ato de terceirizar uma plotagem, que é basicamente imprimir um arquivo tal como no word, excel ou pdf? Um control+P no Windows. Agrava ainda mais a situação porque o arquivo que você utilizará como base está em um CD, endereçado e sistematizado na mesa da pessoa que terceirizou o serviço! Quando pensamos que não poderia piorar… Piora!

Delegar ações para alguém que não vai conseguir, neste caso, cortar e dobrar o produto final da plotagem por conta deste terceirizado ser deficiente físico, é muito desmotivante. Então, obviamente, ou este vai “quarteirizar” para outro a ação, ou, aquele que deveria ter feito tudo sozinho, sem pedir nada pra ninguém, na maior cara de pau, quarteirizará para outra pessoa o ato de cortar e dobrar. Pasmem!

Outras pequenas ações, algumas nascentes de um importante trabalho que se desviam da sua essência no meio do caminho e, sabe-se lá quando irá voltar, se voltar, ocorrem diariamente. Viram ciclos longos e tediosos, envolvendo apenas pequenas ações para muitas pessoas. Algo semelhante ao Fordismo dos anos 30 onde, um pega o produto, outro põe na esteira, outro aperta parafusos e o ultimo, leva para o caminhão. Pronto. Eficiência? Passa longe. Saudosos eram os tempos de Tempos Modernos.

Acontece que isso não deveria ser motivo de dor, nem um motivo para perder meu tempo escrevendo, porém, alivia a alma andar neste deserto e encontrar na escrita, o oásis sempre necessário.

Fique claro que não estou menosprezando pequenas tarefas comuns ao dia a dia. É importante entendermos como funciona a metodologia existente no local de trabalho, que façamos primeiro uma autocritica para depois, na medida em que estas forem realmente necessárias, criticar o sistema vigente como, por exemplo, a burocracia dos órgãos públicos que podem não estar contribuindo para, entre outras coisas, a qualidade psicológica dos seus funcionários. Quais são as consequências mais graves e que permeiam atitudes assim ao longo da carreira profissional de cada um?

Não sei ao certo, mas tenho algumas opiniões e outras, apenas devaneios. Geralmente nos tornamos preguiçosos com ações pequenas e que não nos tomariam o tempo? Sim. Preferimos delega-las a alguém? Sim! Sensação de poder? Talvez. Qual será então o comportamento que nos resta diante de fatos tão corriqueiros mas absurdos e, em alguns casos, silenciosamente impostos? “Brilharmos novamente” na nossa incrível capacidade (humana) de adaptação? Talvez…Quem sabe então, assumirmos as terceirizações? Creio que não. Pois então…

Vamos refletir juntos?

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