O fruto já não saboreia a boca

Já não há poesia em mim

Esqueci dos deuses todos
E meu rosto é uma esfinge.
Tragam feras e ferro.
Porque urge a turba
E o meu nome não carrega signo algum.

Olha a minha mão?
Já não são minhas
O fruto já são saboreia a boca
A boca já não boca
Os olhos já não olhos

Já não dão valor paro os rios que crio.
Já não há poesia em mim.
Mais ainda consigo ver poesia nos outros
Decifra-me ou devoro-te 
Porque tenho fome de poesia.
É a fonte crua não alimenta 
Nem criança faminta.

{Mar}cos