O primeiro livro erótico

Sei apenas que prefiro ser a mulher para quem ele corre do que aquela de quem ele foge e, de certa forma, garanti essa situação não ficando por perto.
Erica Jong
Eu devia ter lá pelos meus 11 ou 12 anos e achei num sebo. Naquela época não tinha sebo perto e sempre que meus pais iam no centrão eu ficava naquela agitação toda procurando um sebo pra chamar de meu. Ninguém de casa gostava de ler e eu precisava escolher tudo meio as pressas e tentar levar o máximo permitido.
Numa dessas investidas aconteceu O Vício da Paixão da Erica Jong, meu primeiro livro semi-erótico, de longe muito melhor que as revistas Cláudia que as amigas filhas de mãe safadinhas compartilhavam na roda. Agora pensando bem não dá pra ter certeza do impacto psicológico que acarretou. Lembro apenas que se tratava da obsessão de uma artista plástica quarentona pelo namorado muito mais jovem. Ela falava em pau o livro inteiro, com descrições quase palpáveis. Era um livro lascivo e degradante, como o próprio título sugere, a paixão enquanto um vício e a protagonista tomando várias péssimas decisões.
Uma coisa que marcou foi a abordagem feminina do erotismo, de um jeito sujinho, mas ao mesmo tempo classudo porque a Érica escreve bem. Me irrita a literatura erótica carecer de um enredo envolvente salvo raras exceções. Tanto que a coisa mais excitante que já li foram trechos de uns livros do Mario Puzo.
Outra coisa que dá muita raiva são os contos eróticos absolutamente non sense com narrativas repetitivas e vocabulário pobre e infantilizado, tudo escrito no tempo de uma punheta. Certa vez no finado orkut alguém escreveu uma novela erótica incrível, infelizmente se perdeu.
Considerando uma pré adolescência a ser desbravada com pouco acesso a internet e nenhum material pornográfico, muito obrigada senhora Jong.