Eco


O homem já perdera a noção de tempo e espaço. Caminhava a esmo pelo campo sem sinal algum de civilização. Nem mesmo animais e árvores pareciam corajosos o suficiente para desbravar aquela região. E, no entanto, ali estava ele.

O capim seco, amargo e acinzentado se entortava sob o Sol escaldante, a poeira quente flutuava, misturando-se ao rosto do homem. Seus olhos ardiam e lacrimejavam. Até onde podia ver, havia apenas a vegetação rasteira. Tentou gritar, mas a atmosfera o emudecia. Não se lembrava de como havia parado em tal lugar.

Sentou-se num estalar de joelhos e pôs-se a pensar. Lembrou-se vagamente de uma estrada, viera de carro. A gasolina acabou e ele saiu em busca de ajuda. Avistou um posto abandonado, na esperança de encontrar algo. De fato, havia duas pessoas lá, mas ao invés de ajudá-lo, assaltaram-no. Levaram seu carro.

A partir daí andou em vão por muitas horas, até que o Sol começou a fraquejar no horizonte. Estava exausto.

Apesar disso, sentia-se bem.

Com o cair da noite, o homem deitou na relva, fechando os olhos. Uma chuva fina, eterna e silenciosa começou a cair espalhando um cheiro de terra molhada. Tudo era silencioso. Sentia – ouvia — o coração bater, o pulso nos dedos, a respiração pesada. Não tinha fome, não tinha frio. Não tinha anseio por mais nada, não poderia ter. Em sua mente apenas o ressoar de pensamentos, os mais simples, apenas o pensar…

O homem abre os olhos, sobressaltado. Apenas um sonho. O barulho volta, a poluição inunda o ambiente. Não se levanta, fecha os olhos: Só queria voltar a ouvir seus pensamentos.

Nada era silencioso.