Imigrante
As casas, as cabeças de gado. As moitas de bambu e de eucalipto. Cavalos pastando calmamente nas margens do córrego, roupas lavadas nos varais das fazendas, dos casarões. Pomares se agitam ao vento.
O trem corre rápido.
O barulho e a fumaça ficam ofuscados pela paisagem.
Vez em quando passa uma cidadezinha, chega a cidade grande. Praça da estação. Trânsito de automóveis, botequins, violões lotados na tarde de domingo. Moças bonitas acenam para o trem enquanto ele passa. E passa rápido.
O trem vai saindo do centro e chega nos bairros afastados. A paisagem muda, as costas doem no assento. O barulho começa a incomodar. O trem para. Não dá para voltar mais.
Os casebres revelam a mobília surrada pelo tempo. Crianças brincando, velhos pitando cigarros nas calçadas de terra. Bêbados saem a praguejar e não há música. A fumaça arde os olhos, não há pomares, o vento cessou há tempos. O trem continua vindo e mais pessoas descem, mas o trem não volta. Não há trilho.
Os operários acordam. Fazem o trilho por conta própria.
O trem já pode voltar, mas os operários estão intoxicados pela fumaça.