Janelas abertas
Acorda após rolar por horas na cama, por não ter mais o que fazer. Pega um café, dois, três. Nem mesmo o sol saiu hoje, talvez até mesmo o sol tenha se cansado — não seria de se admirar. O café desperta seu corpo, mas o torpor da mente sonâmbula permanece. Que dia é?
Verifica que falta pouco pra ser de novo levado, arrastado, sem uso de forças. Que forças? É um espantalho, todo feito de retalhos e migalhas catadas, coladas num mosaico esdrúxulo e horrendo. Achava que pensar na vida era bom, que poderia fazer coisas boas, mas no fim das contas a vida era só uma grande merda cheia de surpresas infelizes. Pelo menos não se dá mais ao trabalho de ter esperança. Isso aprendeu, o gênio. O relógio bate as horas, é tempo de fechar as janelas. As janelas estavam escancaradas, e o sol não veio. Onde colocou os cadeados?