Eu julgava outras mães…

O MUNDO DA VOLTAS

Num certo momento da minha vida, aonde eu equivocadamente acreditava ter tudo ao meu controle, e por isto me via como uma uma supermãe, e super dona de casa, exemplar, do tipo que limpa, lava e cozinha jantares diversificados todos os dias! Eu julgava outras mães, como menos habilidades como as minhas de equilibrar tais tarefas ‘corriqueiras’ de ser do lar.

Como tudo o que vai volta, em julho de 2015 eu e meu marido morávamos no Rio de Janeiro, quando ele foi desligado da empresa na qual trabalhava, então fomos morara por um tempo na casa da sua mãe, (minha sogra) em São Paulo até que acabassem as obras na casa em que iriamos morar. Foi quando os espelhos mais fortes da minha vida começaram a aparecer.

Minha sogra tinha sua rotina diária, e eu não sabia ao certo como me encaixar nela, a rotina diária entre limpar sua casa, lavar a roupa de sua família e auxiliar sua mãe (uma senhora com idade já avançada); Isto me deixava tão insegura e com medo que ao agir atrapalhasse sua rotina, que então eu ‘apenas’ focava em cuidar do Lolo, o que não parecia uma colaboração suficientemente plausível para o velho eu, mesmo naquele momento delicado de mudanças.

Toda vez que a frase entonada era “preciso limpar…’’ eu me sentia mau, me sentia menos, sentia-me inútil por conseguir apenas e com muito esforço, apenas, cuidar do meu filho! Eventualmente deixei-o chorando para atender a dita cuja neura da limpeza, então a neura da maternagem perfeita me cobrava, quando não era de fato alguém de fora me cobrando ‘’deixa isto aí, vá cuidar do pequeno”, ou ” não o deixe chorando” daí pronto era o que eu precisava para me martirizar o resto do dia, ou semanas, envergonhada de mim mesma e a minha falha maternagem, que ia de mal a pior, na ideologia antes tida como fácil, simples e maleável.

Eu me sentia exalta, esgotada, por ter que lidar com a rotina do Lo, numa casa que não era minha e que as bagunças causadas por ele na casa (que era pequena, e ainda tinha muitos lugares inseguros para ele explorar), me deixavam exaurida e impaciente com o rumo da minha vida. Diariamente a necessidade de tomar chá de sumiço vinha, mas nem isso eu poderia fazer, nem ao menos um lugar para fugir, pedir colo amigo na nova cidade eu tinha; mal sabia andar além do trajeto casa da sogra, casa da tia dele (Sr K). Eu queria era me enfiar embaixo das cobertas e ficar por dias até tudo acabar, mas isto também não poderia. Eu sabia que para minha sogra também estava sendo desgastante toda esta nova rotina inesperada, e ao pensar nisto eu me depreciava ainda mais.

Hoje olho e lembro de uma moça que conheci no Rio, ela tinha ‘apenas’ um filho pequeno e não ousava tentar dar uma de heroína para jure alheio se desdobrando em mil além dos seus limites. Hoje vejo que ela era sincera com sigo mesma e real na sua exaustão, de aproveitar as pequenas folgas em que o seu bebe passava de um colo a outro, para descansar ao invés de sucumbir a necessidade imposta de lavar a louça alheia. Pois muitas como eu foram educadas no modelo machista do servir, e se preocupar com a opinião do outro sobre o que se é, o que se deve fazer, parecer, etc.. Hoje entendo a mãe revolucionaria desta jovem mãe, que não criou a filha para agradar os outros antes de agradar a sí própria. Ela estava certíssima.

Obrigada C.H e C.C.P por serem exemplos reais do ‘deixe estar’ afinal mais vale uma mãe com sua verdade convicta na mão do que pairando perdida entre uma opinião alheia e outra.

No final nossa casa ficou pronta, e eu aprendi que mais vale uma louça suja na pia, que meu bebê chorando.

Nós nunca sabemos o dia de amanhã, e quando nos propomos a julgar alguém, estamos emitindo ao Universo a necessidade de aprender através daquilo; portanto lembre-se você pode, e com certeza, vira a experienciar aquilo que tanto julga! Exercer empatia é modo mais simples para aprendermos e crescermos aqui na terra. Julgue menos. Deixe estar! ❤