QUEM É VERDADE
Esses olhos que refletem alegria
São os mesmos que te comem.
E essa boca que gorjeia falsa melancolia
E a mesma mentirosa de ontem.
Essas orelhas guardiãs de sons e fardo
São as mesmas que não te dão ouvidos.
E meu nariz que fareja teu gosto amargo
Já não inspira mais o teu tesão despido.
Essas pernas que andam além-monte,
São as mesmas que tropeçam em vaidade.
E a mesma barriga que ronca de fome
É a que vibra ao matar a saudade.
Os dedos alegres num som de seis cordas
São os mesmos, irônicos, a te apontar.
E os meus joelhos, gastos num chão de roça
São os mesmos cansados de labutar.
As mãos que tateiam terra e teu leito,
São as mesmas que batem, a ti, palma.
E esse mesmo coração que te guarda no peito
É… Ao menos, o mesmo que te leva na alma.

E quando não desconfiamos dos outros, devemos confiar em nós mesmos?
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Ilustração: Autorretrato — Vincent Van Gogh , 1889
