a chuva

é tarde demais pra você saber que eu voltei a escrever por causa de você. é cedo demais pra eu escrever por causa de você. eu não sei muito bem qual foi o motivo que me fez abrir aquele meu caderno que vive num bolso apertado da minha mochila com as páginas não folheadas pra escrever um poema qualquer enquanto pensava na capacidade que você tem em administrar o meu desejo de uma forma que você nem sonha. acho que fui longe demais. mas ainda assim, me permito a pensar em todo o delírio que seria caso estivéssemos debaixo do lençol nesse exato momento num ritmo incessante de prazer ou se estivéssemos numa conversa online sem sentido em que mais eu falo e mais você ouve. poderia ser indescritível se pudéssemos vivenciar isso agora sem que eu me deslaçasse em mil fitas de bonfim e você se perdesse meio as letras que você tanto preza na hora de fazer o que você tanto quer e sonha. falando assim, parece que eu te conheço mais do que você me permitiu que eu conhecesse e eu tenho certeza que sim. me volto sempre aos recursos que eu tenho que me fazem te conhecer. e agora chove lá fora. e agora chove aqui dentro. enquanto eu escrevo isso, nessa madrugada chuvosa, eu sei que você dorme. e talvez a única coisa que tenhamos em comum seja esse mesmo céu que abriga essas mesmas nuvens que choram e pesam essa água gotificada, glorificada e que cai em cima de nossos tetos como se estivéssemos debaixo de um lençol trocando palavras de afeto ou bons gemidos de prazer.

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