Por que aprender outras línguas além do inglês?

E a história foi assim: a Guerra Fria acabou, os Estados Unidos se firmaram como uma grande potência e o capitalismo, apoiado por sua mãe globalização, tomou conta do planeta todo. Não só por esse, mas por alguns outros motivos, o inglês se tornou a “língua oficial” deste mundo conectado. Graças a isso as viagens se tornaram mais fáceis, a tecnologia mais acessível, intercâmbios mais viáveis e por aí vai. Mas até que ponto essa glorificação do inglês é positiva?

Antes de tudo, temos que pensar o que é um idioma. Cada língua não é só uma maneira de se comunicar, mas a expressão de toda uma cultura. Seja pela fala, escrita, gestos ou representação gráfica, os idiomas foram uma criação nossa para que pudéssemos nos comunicar, progredir e transmitir ideias. Ou seja, uma língua contém muito, mas muito mesmo, sobre a cultura de comunidades e nações, sendo a mais pura forma da expressão humana.

Não é à toa que o Google se preocupa tanto com seus algorítimos do seu tradutor. Cada vez mais o serviço produz respostas com interpretações e não traduções diretas vindas do dicionário. Por exemplo, uma simples tradução do “I see…”, do Inglês para o Japonês, retorna com o famoso “narurrodô”, palavra que os japoneses usam da mesma forma e no mesmo contexto. Jogando o “narurrodô” para o português, a tradução é um simples “hmmmmm…”, que é a forma que normalmente nós brasileiros respondemos.

Levando em consideração que nem todas as pessoas tem a oportunidade de viver em países com Inglês nativo, e por mais que eles aprendam a gramática e uso da língua, a representação da cultura ainda pode ter algumas lacunas. Claro que no caso do Inglês, esse fator é menor, já que a cultura Americana que consumimos é enorme, e logo nos tornamos capazes de entender algumas nuances da língua.

Ou seja, dentro dos limites do turismo e Inglês diário, não existe muitos problemas, e podemos entender que essa situação é completamente aceitável. Mas quando partimos para o lado das relações humanas mais próximas, negócios e relações diplomáticas, essa falta de compreensão da língua pode ser um fator não muito positivo.

Temos então os dois lados da mesma história. Enquanto nativos em Inglês não se preocupam nem um pouco em aprender outras línguas, poucos falantes das demais línguas se preocupam em aprender uma outra língua além do Inglês. Essa relação sem balanço funciona? sim, funciona, mas a margem para mal entendidos e uma comunicação falha é enorme.

Claro que ninguém é obrigado a se tornar poliglota, mas quem quiser se integram ou entender melhor outras culturas, seja por motivos de negócios ou porque desejam de mudar pra outros países, pode se beneficiar muito com isso. Ao mesmo tempo que nativos do Inglês podem se beneficiar muito, caso eles se dediquem mais ao estudo de outras línguas, já que junto com todo o vocabulário e gramática está o universo que realmente representa as características de uma nação e seus indivíduos. Vale o esforço.