Ideologia de Gênero: O que é (Parte I)

De uma simples palavra sinônima de sexo, gênero se transformou em instrumento numa batalha que tem como finalidade destruir tudo aquilo que conhecemos como família e moral cristã.

Teóricos da dita “Ideologia de Gênero” afirmam que ninguém nasce homem ou mulher, mas que cada um constrói seu gênero no decorrer da vida. Basicamente, isso significa que homem e mulher seriam papéis sociais flexíveis, ou seja, poderiam ser modificados independentemente do que a biologia determina como tendências de cada um. Judith Butler, uma das pioneiras em tal bizarrice, afirma em seu livro Gender Trouble: Feminism and the Subversion of the Identity (Questão de Gênero: o feminismo e a subversão da identidade) que “o gênero é uma construção cultural; por isso não é nem resultado causal do sexo, nem tão aparentemente fixo como o sexo”, e continua ““homem e masculino poderiam significar tanto um corpo feminino como um masculino; mulher e feminino tanto um corpo masculino como um feminino”.

Para esses teóricos, todo o problema decorre de uma divisão do mundo entre homens e mulheres, colocando-as em uma posição inferior, o que deve ser combatido. Shulamith Firestone afirma isso em seu livro The Dialetic of Sex (A dialética do sexo):

“A meta definitiva da revolução feminista deve ser igualmente — ao contrário do primeiro movimento feminista — não apenas acabar com o dito privilégio masculino, mas também com a própria diferença de sexos. As diferenças genitais entre os seres humanos já não importariam culturalmente.”

Contudo, Firestone não foi a primeira pessoa a propor tal monstruosidade. O combate contra a família vem desde Karl Marx e Friedrich Engels. Este último diz em seu livro “Sobre a origem da família, da propriedade privada e do Estado”, que:

“Que significam relações sexuais sem restrições? Significa que não se aplicavam os limites vigentes hoje ou numa época anterior. (…) Antes da invenção do incesto (porque é uma invenção, aliás, das mais valiosas), as relações sexuais entre pais e filhos não podia ser mais repugnante do que aquelas que ocorriam entre outras pessoas de gerações diferentes, sem causar grande horror”.

Para o marxismo, a família não é um ente natural, querida por Deus para o homem e a mulher, mas representa numa microestrutura a luta de classes que acontece na macroestrutura da sociedade, levando a crer que a relação entre marido e mulher, pais e filhos seja, na verdade, uma luta pela liberdade. Por isso, a monogamia não é a forma mais excelsa de matrimônio, mas sim a mais atrasada por escravizar a mulher:

“Num velho manuscrito inédito, redigido em 1846 por Marx e por mim, encontro o seguinte: “A primeira divisão do trabalho é a que se fez entre o homem e a mulher para a procriação dos filhos””.

A partir daí, nasce das escolas marxistas o impulso pela “libertação” sexual feminina, levando a revolução a cabo através da derrubada da unidade familiar. A primeira a propor isso é Kate Millet, em seu livro Política Sexual, que é tido como o “Manifesto Feminista”.

“Engels, assim como Marx, compreendeu o protótipo histórico e conceitual de todos os subsequentes sistemas de poder; de todas as relações econômicas opressoras e o próprio fato da opressão em si (…) Para que uma revolução sexual progredisse, seria necessário uma transformação social verdadeiramente radical e a alteração do matrimônio e da família como foram conhecidas através de toda história”.

Desse pensamento que vem a conclusão feminista da família como origem da psicologia do poder. Por isso ela deve ser destruída para o alvorecer da revolução no mundo.

Marx havia apontado o grande inimigo da revolução, mas não apontou o meio de destruí-la. Millet começa a encontrar os meios para isso, mas somente começou o percurso de modificação do que se entende por família, para depois reduzir todas as relações humanas a um descompromisso animal.

Shulamith Firestone

Coube à Shulamith Firestone retirar o “feminismo” do manifesto, transformando-o numa ideologia, aprofundando e levando ao extremo o pensamento de Marx e Millet. Em seu livro “A dialética do sexo” ela expõe abertamente seus planos contra a família:

“Estamos falando de uma mudança radical. Libertar as mulheres de sua biologia significa ameaçar a família, que é a unidade social organizada em torno da reprodução biológica e da sujeição das mulheres ao seu destino biológico (…) A total autodeterminação, incluindo independência econômica, tanto das mulheres quanto das crianças. (…) É por isso que precisamos falar de um socialismo feminista. (…) Com isso, atacamos a família em uma frente dupla, contestando aquilo em torno de que ela está organizada: a reprodução das espécies pelas mulheres, e sua consequência, a dependência física das mulheres e das crianças. Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família, que produz a psicologia do poder. Contudo, nós a destruiremos ainda mais”.

Como consequência disso, abrem-se as portas para ideias nefastas como a pedofilia e o incesto, uma vez que não existem mais barreiras de idade, sexo ou laços familiares:

“E, se as distinções culturais entre homens e mulheres e entre adultos e crianças forem destruídas, nós não precisaremos mais da repressão sexual que mantém estas classes diferenciadas, sendo pela primeira vez possível a liberdade sexual ‘natural’ (…)Assim, chegaremos à liberdade sexual para que todas as mulheres e crianças possam usar a sua sexualidade como quiserem. Não haverá mais nenhuma razão para não ser assim. (…)Serão permitidas e satisfeitas todas as formas de sexualidade. A mente plenamente sexuada tornar-se-ia universal. (…) Se a criança escolhesse a relação sexual com adultos, ainda no caso que ESCOLHESSE A SUA PRÓPRIA MÃE GENÉTICA, não existiriam razões a priori para que esta rejeitasse suas insinuações sexuais, visto que o TABU DO INCESTO teria perdido a sua função”

Por motivos obviamente estratégicos, ao menos por um momento os ideólogos de gênero não falam em incesto e pedofilia, como fez Firestone. Concentram-se, por isso, em exaltar o homossexualismo.

Todavia, somente os ideólogos e seus livros não foram o suficiente para diminuir o poder e a união familiar. Era necessário ajustar a estratégia, sem mudar o alvo. Percebendo que os ataques de fora contra a família não obtinham sucesso, era necessário que ela fosse atacada por dentro, doutrinada de que seu próprio conceito é opressor. Por isso, era necessário mudar o discurso, as defesas conceituais, os significados originais das palavras. Era necessária uma teoria desconstrucionista.

Com isso, o feminismo passa a discutir o conceito de “mulher” com Simone de Beauvoir. Ela foi a precursora do que ficou conhecido como “Segunda Onda” do feminismo. Em sua principal obra, “Le Deuxième Sexe” ou “O Segundo Sexo”, ela afirma

“Não se nasce mulher, torna-se mulher.”

No início do seu livro, ela pergunta “O que é ser mulher?”, para questionar em seguida se ser mulher é possuir um útero. Ao refutar essa relação, conclui: “Todo ser humano do sexo feminino não é, portanto, necessariamente mulher; cumpre-lhe participar dessa realidade misteriosa e ameaçada que é a feminilidade.” Está decretado que qualquer um pode ser mulher.

Coube então à Judith Butler reunir todas essas contribuições anteriores em seu livro “Gender Trouble”, onde a ideologia de gênero é exposta como conhecemos hoje, onde homem e mulher são papéis sociais que podem ser escolhidos e trocados quantas vezes quiserem. Fica claro também, com isso, que o movimento gay é somente mais um instrumento nas mãos dos ideólogos, que não estão preocupados com a vida e segurança dos homossexuais, que serão prontamente descartados quando não servirem mais à causa.

Enquanto a Ideologia de Gênero ia tomando forma nessas mentes perversas, entre os metacapitalistas das grandes fundações internacionais surgia uma grande preocupação com a explosão demográfica no mundo, que punha em risco o sonhado controle sobre a sociedade. Para controlá-la e analisá-la, John Rockefeller III fundou o Population Council (Conselho Populacional).

Depois de toda ofensiva contra a mulher, ainda faltava uma característica feminina fundamental a ser derrubada: a maternidade. Kingsley Davis, ex-presidente do Conselho Populacional, notou que a mulher, em seu íntimo, traz o desejo de ser mãe. Para eles, entretanto, isso era uma grande barreira contra o controle de natalidade com métodos anticoncepcionais e o aborto. Eles perceberam que, embora a mulher adotasse métodos contraceptivos por algum tempo, mais cedo ou mais tarde o desejo materno vinha à tona. A conclusão lógica é que era preciso destruir, no mais íntimo do coração, o desejo e a tendência das pessoas de constituir família. Era preciso destruir o sonho da maternidade.

Buscando consolidar as teses de seu mestre, Adrienne Germain traz a solução para a crise demográfica. E esta solução é a dos marxistas e dos ideólogos de gênero.

Adrienne Germain

Assim, como afirma Padre Paulo Ricardo, “como há dois mil anos, Herodes e Pilatos se uniram para crucificar Cristo, hoje, dois inimigos tidos como ferrenhos — a saber, os marxistas e certas organizações metacapitalistas — têm se unido com um propósito comum: a destruição da família. Grandes fundações — como Rockefeller, MacArthur, Ford e Bill & Melinda Gates — têm financiado pesadamente ONGs com ideologia de esquerda, unindo dois universos até então inconciliáveis.” Com esse financiamento, as feministas lideradas por Judith Butler chegaram à IV Conferência da Mulher em Pequim, e conseguiram incluir o termo gênero sem qualquer definição considerável dos que votaram o texto geral.

IV Conferência da Mulher, em Pequim

Depois dessa vitória, o grande problema seria manter a difusão de um termo sem uma definição precisa. Depois de algumas ofensivas aplicadas por alguns que notaram uma trama diabólica por trás do termo gênero, ele foi finalmente definido e imposto a todas as nações na Conferência de Yogiakarta (2006):

“Compreendemos a identidade de gênero como estando referida a ‘experiência interna, individual e profundamente sentida que cada pessoa tem em relação ao gênero que pode ou não corresponder ao sexo biológico atribuído no nascimento, incluindo-se aí o sentimento pessoal do corpo que pode envolver por livre escolha a modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgico ou outros; e outras expressões de gênero, inclusive o modo de vestir, o modo de falar e certos maneirismos (…) Os Estados deverão tomar todas as medidas legislativas, administrativas e de outros tipos que sejam necessários para respeitar plenamente e reconhecer legalmente a identidade de gênero ‘autodefinida’ por cada pessoa”.

A partir dessa Conferência, aquele conceito antes analisado e construído sorrateiramente começa a entrar na agenda dos países ao redor do globo.

No próximo artigo será abordada a realidade atual dessa ideologia no nosso país, e como estamos sendo infectados por ela sem que possamos perceber.