O erro de Pacquiao

(Foto: Reuters)

Na última semana, o boxeador Manny Pacquiao, em um vídeo publicado por uma TV filipina, deu uma declaração extremamente infeliz, comparando homossexuais a animais. Dias depois disse o seguinte através de seu Facebook: “Eu peço desculpas por machucar pessoas ao comparar homossexuais a animais. (…) Eu vou continuar com a minha crença de que sou contra casamentos entre pessoas do mesmo sexo por conta do que a Bíblia diz, mas eu não estou condenando os LGBT. Eu amo todos vocês com o amor do Senhor”. Por causa do causo, Pacquiao perdeu um patrocínio de dez anos com a Nike, uma parte de sua legião de fãs e conseguiu abalar sua forte candidatura ao Senado no país.

Mas sabe qual o curioso nessa história? Pacquiao está certo. Não em comparar os homossexuais a animais, é claro, mas em dizer que está apenas concordando com aquilo que a Bíblia fala. A posição majoritária do Cristianismo hoje em dia — incluindo sua maior instituição, a Igreja Católica Apostólica Romana — é de que a homossexualidade é pecado. O Novo e o Velho Testamento condenam a prática de forma expressa(Lev 18:22/Rom 1:26–28), deixando pouco espaço para manobra. É claro que alguém pode fazer uso da imensa elasticidade do pensamento religioso (já falei disso aqui: https://goo.gl/KV4UY ), ignorando passagens onde isso é dito de forma clara e argumentar que essa é uma interpretação errada, uma opinião que aumenta no meio evangélico (já falei disso aqui: https://goo.gl/IUXNAz), mas não por uma revolução teológica e sim por pressão de setores seculares da sociedade. Quem deveria estar perdendo patrocínio de dizimistas, parte de sua imensa legião de fieis e ter sua forte influência política ao redor do mundo abalada deveria ser a fé cristã.

A conclusão aqui é simples: O erro de Pacquiao não é simplesmente achar que os homossexuais estão errados, o erro de Pacquiao é achar que a Bíblia está certa.