Vício de si

A primeira vez foi gratificante, assim ele pensou. Após a segunda vieram as críticas. Na terceira já não podia suportar os seus erros, como podia ser tão tolo? Obra de arte?

Naquela primeira, ele pensou que o universo tinha sorrido para sua existência. Sempre soube do seu potencial, todos diziam que ele era especial, e assim sempre se viu. Afinal como não ver? Míope, não cego.

Sendo assim, naquela primeira vez, finalmente encontrou a forma de extravasar os seus pensamentos que por vez ou outra se imaginava realizando.

Mas, contudo, todavia, entretanto, viu pela segunda vez. Fatídica, erros infantis. Nexo? Nem pensar.

Terceira? Realmente existiu a terceira? Lembrou de um som se quebrando, única lembrança dessa “terceira”.

Após o caos, teve que refletir e finalmente percebeu. Epifania. O universo, aquele lá, realmente tinha sorrido. Era realmente perfeito, uma jóia esquecida depois daquele som que se quebrou, precisava recuperar. Precisava de uma quarta vez. Sim, era isso mesmo que queria, uma quarta vez. Nada mais existia na sua frente, senão o estalo de genialidade.

Especial, como foi especial aquela “quarta”. Notou que era realmente único, como o universo era bondoso. Uma torrente tão grande de pensamentos geniais, espetaculares só para si? Perfeito, superior. Sim, estavam certos.

Sofria por passados não existentes e sorria para futuros irrealizáveis. O presente? Só tinha a si mesmo para admirar e preparar os inexistentes e irrealizáveis.

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