a “Economia Compartilhada” nem nasceu, nem morreu: ela é mais que a manchete.

Esbarrei nesse artigo da Fast Company (um pouco atrasado) que diz que a “Economia Compartilhada” morreu, e fomos nós que a matamos. E só o que penso é em como a indústria de inovação se prende a criar palavrões pra chamar a atenção, mas eles se tornam obsoletos rapidinho porque os produtos (e o comportamento do público) evoluem muito depressa.

Me lembra o editor do Clarim Diário maluco mudando a manchete sobre o Homem-Aranha pra vender mais jornais: “Ameaça!”, não peraí “Salvador de Nova York!”, puts, “Morreu!”. E, via de regra, f***ndo com o Homem-Aranha.

O público não lê Wired nem zerou a lista de TEDs, e poucas vezes usa os produtos exatamente do jeito que a imprensa noticia, que o designer desenha, e que o estrategista planeja: as pessoas vão encaixar o produto em suas vidas, e se funcionar, mantê-lo por lá. Independente do que está no release da assessoria de imprensa. Independente do que é tendência de conferência. O povão que vai usar o produto não precisa de keynote.

Dizer que AirBNB e Uber não representam a “Economia Compartilhada” é não admitir que esse conceito evoluiu — através de teste e uso dos produtos. Evoluiu e se tornou algo um pouco mais parecido com serviços tradicionais, mas ainda assim baseado no acesso a bens pessoais e serviços que usuários se dispõe a compartilhar :)

E, de um jeito um pouco parecido, dizer que esse fenômeno “nasceu” com esses baita apps groundbreaking-SXSW-trendhunter é ignorar que os discos usados que eu comprei de outros usuários da internet pelo mundão afora no ebay e Mercado Livre desde os anos 2000 são, de uma maneira, parte de uma economia mais compartilhada.

Ou seja: a economia está sendo aos poucos mais compartilhada, mas ela não é essa “Economia Compartilhada” de palestra, com regrinhas definidas.

Ok, não viramos uma Aldeia Global que empresta e aluga baratinho furadeiras, escadas e churrasqueiras elétricas o tempo todo. Mas estamos aos poucos evoluindo de uma sociedade presa ao modelo industrial de oferta e consumo para explorar outras alternativas mais distribuídas. E enquanto isso eu vou compartilhando de leve a economia, explicando para o rapaz do Uber como funcionam as ruas do meu bairro no caminho para a House of Food (onde um camarada que tá pensando em abrir um restaurante vai testar seu cardápio) ;)