Leia mais, viva mais (e melhor…)

(Imagem: Nany Mata, em CC BY 2.0)

A revista médica Social Science & Medicine provocou recentemente uma enorme reação da comunidade literária ao publicar um artigo da conceituada universidade de Yale, em que os autores sugerem que pessoas que têm o hábito de ler mais têm também uma redução de seu risco total de mortalidade. E não só isso, mas a leitura de livros demonstrou ser superior à de jornais e revistas. Em outras palavras, quem lê mais, vive mais!

Sem dúvida, é difícil dizer com certeza se esta é uma conclusão válida do ponto de vista médico. Há inúmeros casos de gente que lê muito e morre jovem. É um tipo de estudo sujeito a uma infinidade de vieses. No entanto, como médico que sou, posso dizer que dei uma olhada na metodologia, e foi aparentemente bastante bem feita.

Seja ou não uma verdade clínica, no entanto, o fato é que, do ponto de vista psicológico, os autores acertaram na mosca: quem lê mais vive mais, sem dúvida. Vive mais, porque o leitor não é um ser passivo com relação ao que lê, mas participa das histórias como um protagonista a mais, ou pelo menos como um coadjuvante.

Eu, por exemplo, não tenho nenhuma pretensão a ser um grande luzeiro no campo da leitura, e no entanto já desvendei vários crimes, e testemunhei alguns; participei de guerras (a Primeira e a Segunda, e umas batalhinhas mais), já acariciei um leão em Nárnia e cacei onças no Picapau Amarelo; fui samurai, jagunço, escudeiro, presidiário e nobre; fui à África, à Antártida e à Lua; viajei de carro, barco, trem, cavalo, elefante, trenó, avião, bala de canhão e nave espacial; vi as mulheres mais belas do mundo (com uma das quais sou casado) e bruxas repugnantes e caolhas; enfrentei fantasmas e gigantes, atravessei a pé a Escócia, a Espanha e o Japão, estive entre índios e entre robôs, fui criança, velho e depois criança de novo; fui amigo de santos e de assassinos, de reis e de mendigos, passeei na Rússia, na Alemanha, na Amazônia; fui a banquetes com Sócrates e tomei cerveja com Chesterton; subi até o céu e desci até o inferno… e tudo isso sendo bastante sedentário, e até meio gordinho…

Esta é apenas uma pequena amostra; você, leitor, com certeza é capaz de ampliá-la e torná-la mais interessante do que a minha. Por que não tentar? Faça o exercício: coloque-se na frente de uma folha grande de papel em branco e vá listando as experiências que teve através dos livros que leu. Você vai se espantar com o resultado, posso garantir.

Se o estudo do Social Science & Medicine for verdadeiro, ler pode aumentar sua expectativa de vida em até dois anos. Pode ser que sim, pode ser que não. O que posso garantir é que a sua experiência da vida vai ser multiplicada por vinte. Tente e comprove!

Leia mais textos no blog Biblioteca Básica: bibliotecabasica.wordpress.com