Parece que, de um instante pro outro, ele adquiriu uma inquietação física. Sua mente nunca foi a mais silenciosa e seu corpo nunca respondeu a pulsação de seus pensamentos. Agora, mesmo que cansado, é como se cada parte latejasse implorando por justiça aos passos largos que não foram dados ou que foram sucumbidos pela preguiça e feitos da maneira mais rasa que ele repreendia mas hipocritamente externava repetidas vezes durante sua curta vida. Algo o despertara tardiamente para as coisas que ele sempre quis e fugiu. É que amar assusta, e ele nunca foi bom em fazer-se entender. Clareza era coisa rara. E qualquer momento de louca lucidez o fazia emergir em puro gozo. Pura contradição de quem carregava a moça do vestido vermelho nos ombros desde os tempos mais inocentes. Ela conheceu seu sorriso tímido e até mesmo aquele que alegrava-se com a dor do outro. E eram um só desde que o mundo é mundo. Mas desconheciam-se. E nessa tentativa de se encontrar, ele acaba dando de encontro ao seu sorriso mais encantador. E fingem estar tudo bom. E seguem vivendo. Sorrindo. Isso é pura fração de segundos. Há tanto, não é mesmo?

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