Nada é fácil, nada é por acaso: bailarino alagoano coleciona, aos 18 anos, medalhas e sonhos

Se fosse preciso escolher um, e somente um, elemento responsável por fazer do balé a influente manifestação que ele representa, entre os muitos que o compõem, o escolhido seria, muito provavelmente, o preciso ajuste entre o alumbramento estético e o extremo esforço físico. Os fundamentos dessa dança, a qual teve seu apogeu nas cortes francesas do século 17, evoluíram ao passar dos séculos, e ganham, 400 anos depois, sob as sapatilhas dos bailarinos contemporâneos, uma elevação: vão além da arte e ganham, graças à dedicação física e ao intenso treinamento, características de esporte.
Bem aí, nessa vereda que se estende entre o que há de arte e o que há de esporte, um jovem alagoano, de apenas 18 anos, começa a se destacar. Ele é Emerson Mateus Ferreira dos Santos, natural de Rio Largo, e que, pela segunda vez consecutiva, foi escolhido como o melhor bailarino do importante Prêmio Onça Pintada, parte da Mostra Internacional de Danças Populares e Clássicas do Mato Grosso do Sul, que aconteceu em junho em Campo Grande. Ele apresentou dois solos ensaiados pela bailarina e diretora Eliana Cavalcanti, sua mestra: “A bela adormecida”, um clássico do balé, e “Conflito”, coreografado por ele mesmo.
Emerson Mateus é aluno de Cavalcanti há uma década e, sobre a importância dela em sua vida, diz: “ela é uma mulher que se preocupa com cada pessoa, com cada aluno. Ela é uma mãe pra mim e me orienta não só no meio clássico, mas na vida pessoal. Ela é uma pessoa completa, um anjo”. E continua: “ela não mede esforços pra correr atrás de sonhos que são meus e que acabam, de uma certa forma, fazendo parte da vida dela”.
Além do troféu de melhor bailarino do Prêmio Onça Pintada, que contou com estrelas do universo do balé na comissão julgadora, como Andrea Tomioka, Carlla Bublitz e Marcelo Misailidis, ele recebeu convites para se apresentar em dois festivais promovidos pelo Conselho Brasileiro de Dança (CBDD), em Fortaleza e no Rio de Janeiro, e para fazer um curso de férias na Academia Vera Bublitz, no Rio Grande do Sul. O jovem tem em sua coleção, ainda, o primeiro lugar em festivais como o Passo de Arte, em São Paulo, e o Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina.
Apesar de todas as láureas, Emerson Mateus mantem os pés no chão. “Procuro viver intensamente a cada minuto, com a minha família, com os meus amigos, com a minha professora. Me esforçando ao máximo. É claro que todo mundo quer ganhar na vida, mas o que vier eu vou agradecer a Deus”. Ele tenta viver, em suas próprias palavras, “o hoje”. “O mais importante não é tentar vencer as competições, mas apresentar uma obra ao público e aos jurados. É mostrar o que realmente ela tá falando, dançar, executar os movimentos”.
São necessários um talento natural e uma determinação de ferro para compreender que as expectativas são importantes na carreira de um artista, mas atrapalham com mais frequência do que ajudam. Talvez não estejamos diante da próxima grande estrela da arte em Alagoas, porque, como ele mesmo diz, “o futuro a Deus pertence”. Entretanto, fica, da conversa, uma certeza: Emerson Mateus continuará a se esforçar para sê-lo.
Ele resume assim: “vencer pela segunda vez (o Prêmio Onça Pintada) é um mérito muito grande, não foi fácil chegar até onde eu cheguei. E não vai ser fácil ir até onde eu quero ir”. E finaliza: “Nada é fácil, nada é por acaso”.
