Leandro Karnal encontra Maquiavel Pedagogo

A vergonhosa participação do historiador no programa Roda Viva.

Primeiramente, nosso amigo diz que é contra o projeto Escola Sem Partido porque, segundo ele, o projeto é fruto de um pensamento conservador que não teve contato com o ambiente escolar e que, portanto, esse projeto deseja colocar pautas para combater o que eles -os conservadores- imaginam que seja esse meio.

Sem perceber, o próprio Leandro se contradiz, imediatamente depois, ao dizer que, em sua concepção, deveriam ser mostradas em sala de aula todas as visões, seja um texto de Stuart Mill uma hora, seja um texto de Karl Marx em outra, abrindo espaço para o debate, e diminuindo o discurso único, o que é precisamente o conteúdo do projeto do Escola Sem Partido.

Quem, afinal, está fantasiando coisas sobre algum assunto? Ele acusa o pessoal do Escola Sem Partido de imaginar algo que não existe, enquanto ele mesmo imagina coisas absurdas sobre as pretensões do próprio projeto que critica.

Quando esse sujeito vai entender que o que está acontecendo no Brasil não é uma pura e simples doutrinação escolas, mas um projeto de manipulação cognitiva? Há até um nome para o modelo pedagógico: Ensino Multidimensional. Um ensino que se diz não apenas intelectual, mas sobretudo -isto é, de maior importância que intelectual- ético, cultural, social, comportamental, e até mesmo político e espiritual.

Ou seja, é um modelo pedagógico que coloca de lado o conhecimento, para procurar fornecer novos parâmetros morais para cada aluno, deixando de lado seus valores familiares e colocando um novo cronograma de pautas em sua cognição com uso de técnicas como a da Dissonância Cognitiva:

“A experiência prova que um indivíduo numa situação de dissonância cognitiva apresentará forte tendência a reorganizar seu psiquismo, a fim de reduzi-la. Em par­ticular, se um indivíduo é levado a cometer publicamente (na sala de aula, por exemplo) ou frequentemente (ao longo do curso) um ato em contradição com seus valores, sua tendência será a de modificar tais valores, para dimi­nuir a tensão que lhe oprime.” Maquiavel Pedagogo p. 24

Para que o autor do livro não seja culpado por alguma interpretação tendenciosa, leia você mesmo o conteúdo do documento da própria Unesco, a organização que planeja mundialmente as pautas de educação nas escolas:

“Os estudos orientados para a comunidade, os quais levam em conta esse fato [a tendência à conformidade aos costumes estabelecidos], visam à “reconversão”, em certo sentido, de comunidades inteiras, nas quais é necessária a modificação das normas e das práticas estabelecidas, a fim de aperfeiçoar as atitudes intergrupos e de colocar todos os grupos em pé de igualdade. [Atenção agora] Para tanto, faz-se necessário apelar ao auxílio de políticos, de líderes comunitários, de emissoras de rádio, da imprensa local e de outros “formadores de opinião”, a fim de provocar mudanças na comunidade inteira […]

[…] Resumindo os efeitos da educação sobre o preconceito, a discriminação e a aceitação do fim da segregação racial no sul dos Estados Unidos, Tumin, Barton e Burrus (1958) asseveram que o um aumento de instrução tende a produzir deslocamentos perceptíveis:

a) do nacionalismo ao internacionalismo, no plano político;
 b) do tradicionalismo ao materialismo, no plano da filosofia social geral;
 c) do senso comum à ciência, como fontes de provas aceitáveis;
 d) do castigo à recuperação, na teoria dos regimes penitenciários;
 e) da violência e da ação direta à legalidade, como meios políticos;
 f) da severidade à tolerância, em matéria de educação infantil;
 g) do sistema patriarcal à igualdade democrática, em matéria de relações conjugais;
 h) da passividade ao ímpeto criador, no que diz respeito aos divertimentos e ao lazer;

[Confissão Explícita] Esse resumo parece indicar que a educação provoca uma larga e profunda modificação das atitudes sociais em geral, n’um sentido que deve contribuir ao estabelecimento de relações construtivas e sadias entre os grupos.”

Fonte: La modification des attitudes, Rapport et documents de sciences sociales, nº19, Paris, Unesco, 1964

Não é uma maravilha o que estão querendo fazer com nossas crianças e jovens? Não é que o adolescente seja uma besta quadrada, é que ele está sendo manipulado por um processo não-cognitivo, não é uma doutrinação nas escolas, é um projeto de educação mental.

Naturalmente, isso acarreta problemas familiares:

“Muitos pais queixam-se da crescente influência que os grupos de pares exercem sobre seus filhos. Esse fenômeno não é espontâneo. É o resultado de uma política de socialização deliberada, que visa a fazer do grupo de pares o grupo de referência. Não é de espantar que, cada vez mais, torna-se difícil transmitir valores às crianças, bem como uma cultura e uma educação que se diferencie daquela medíocre veiculada pelo grupo. O controle social efetua-se então pelo grupo de pares, mais receptivo às influências dominantes do que o seria um indivíduo isolado.”

Maquiavel Pedagogo p. 129

Quando não há mais o que temer, e todos os projetos já estão encaminhados, resta expor, com a maior cara de pau desse mundo, como se dá, verdadeiramente o projeto:

“Os debates, as pesquisas e mesmo as hesitações dos responsáveis pela educação ou dos representantes dos professores mostram que, se a promoção da educação moral nos programas escolares parece cada vez mais necessária, a implementação de uma ação dessa natureza constitui para muitos países um problema ao mesmo tempo prioritário e ainda sem solução, tanto no tocante aos que concebem os planos de estudos quanto no tocante às condições do processo de formação dos professores; todo educador insuficientemente
 preparado para propor discussões de caráter ético ficará reticente, pela justa razão de tal empreendimento lhe parecer ao mesmo tempo importante, complicado e crivado de armadilhas. Seria, portanto, conveniente fazer a devida distinção entre hesitação e indiferença, ou entre o tempo necessário ao perfeito controle da modificação dos valores e um suposto eclipse da moralidade e da educação moral”

S. Rassekh, G. Vaideanu, Les contenus de l’éducation, Op. cit. Unesco, p.165

Precisa falar mais sobre a imbecilidade galopante de Leandro Karnal? Creio que não. Também, como nós podemos exigir que um sujeito fruto do próprio processo descrito no texto pudesse superar o meio onde foi criado -o meio universitário?

Ademais, Leandro Karnal é o cidadão que disse que vivemos n’uma sociedade falocêntrica. Tenho a impressão que ele está confundindo toda a sociedade com suas homéricas pretensões anais.